Dependência

Acontece. Quando uma pessoa que você ama te deixa magoada, não por culpa dela, mas porque você tomou algo que ela fez/disse como ofensivo para si. Ou quando essa pessoa tá estressada com algo e desconta em você. Ou quando acontece algo que foge do seu controle, e isso deixa a pessoa irritada. E, por consequência, te deixa pior do que você já tava. Tão pior que você reconsidera sua vida toda.

Acontece. Aconteceu. Aconteceu de novo.

Até quando isso vai acontecer? Se deixar ofender ou ficar mal por algo que poderia ser facilmente resolvido por uma conversa, ou mudar de comportamento (depressão, oi) com a pessoa por conta disso, ou mudar sua vida toda ...

Não sei o que fazer. Não sei como agir, o que dizer, como lidar. Fico fechada e a pessoa nota, e então ela se fecha depois de tentar se aproximar e falhar algumas vezes. E fica por isso mesmo, até alguém dar o braço a torcer. Serei eu? Será ela? Será o tempo?

Não sei. Não sei se quero descobrir. Às vezes é melhor deixar o tempo dizer.

Tomara que tudo volte ao normal. Tudo isso tá me matando por dentro, bem lentamente.

Sinto falta.

Crise, my old friend.

Abandonei o blog.

Não existe desculpas pra isso, ou talvez exista, só que não seja boa demais.

De um tempo pra cá, perdi o interesse em fazer coisas que antes me agradavam. Desde 2013 eu não tenho mais aquela vontade de maratonar séries, de ler um livro atrás do outro ou mesmo ficar navegando na internet. Perdi o interesse na minha vida.

Entrei na faculdade em 2014, e logo depois o programa Ciências Sem Fronteiras foi encerrado, me deixando desolada. Não consegui ir, e agora para ir ao exterior, preciso desembolsar do meu próprio dinheiro. Comecei a estagiar. Trabalhar. Namorar. Estagiar novamente. E olha, quanto mais você trabalha, menos dinheiro você tem. E movida pelo meu impulso, eu gastei com coisas desnecessárias, porém necessárias pra mim: coisas que se eu não fizesse, provavelmente eu me arrependeria depois. Fiz 3 tatuagens, gastei nelas um valor de R$1570. Meu cabelo que eu finalmente consegui deixar tão cumprido quanto eu sempre quis, cortei e pintei de colorido. Gastei com tudo o que eu tive vontade de comer, gastei com gasolina para ir em lugares que eu queria ir. Festas? Não. Lugares que eu ia com meus amigos; buscar eles, levar de volta, só isso.

Olha, eu sempre soube que eu tinha depressão. Mas foi em 2014 que ela atacou, quando eu me desinteressei por mim mesma de verdade. Ao entrar na faculdade, senti a pressão de ser adulta. Ter de estudar, tirar a carteira, ter um bom emprego, carro, casa, vida... Talvez tenha sido o distresse que tenha sido o pontapé de tudo, mas 2013 é minha última memória de ter tido realmente vontade de ser feliz. Nos próximos anos, muitas coisas boas aconteceram, principalmente em 2015, mas em contrapartida, minha saúde psicológica e mesmo física pioraram. Descobri que tenho transtorno de personalidade paranoide, que me torna a pessoa mais desconfiada que possa existir. Crio situações na minha mente e desconfio de coisas que não poderiam acontecer. Mas desconfio. Tenho também transtorno de ansiedade generalizada, que praticamente me deixa em pânico por ter de fazer algo simples, tipo sair com meus amigos, ou sair com meu namorado. Que pessoa normal entra em desespero por sair com o próprio namorado? Aí veio a depressão nervosa e, aliada a isso e sempre existente perda de autoestima.

Aí vocês podem me perguntar: "por que você não buscou tratamento?". Autoestima. Não somente aquela autoestima de não se achar uma pessoa bonita, não. Autoestima de não acreditar em si mesma, de não achar que consegue fazer nada, de achar que é um nada. De se odiar. Eu me odeio. Penso e acredito firmemente que a vida de todo mundo ao meu redor ia estar bem melhor sem mim. Que eu não passo de mais uma coisa para dar trabalho à eles. Que entrar em uma faculdade federal e se formar no inglês não passam de uma obrigação que eu tenho para com eles, para com a vida. Não algo de vontade minha. Me digam, como tratar algo que eu acredito que qualquer tratamento falharia? Que eu sou tão inútil e incapaz, que não conseguiria fazer isso dar certo? Eu não acredito em mim. Não acredito em mim, e não acredito que tudo isso possa funcionar em mim. Não faz sentido nenhum, né?

Como se não bastasse, minha imunidade tá zerada. Isso me deixou com candidíase bucal (não tem nada a ver com a doença sexualmente transmissível, é outra coisa), que me deixou com tanta dor na garganta que eu não conseguia engolir minha própria saliva. E será uma doença recorrente enquanto minha imunidade não melhorar. Tive isso no meio de 2015. Em 2016, comecei um estágio novo e pelo estresse, minha imunidade caiu novamente e a doença recorreu. Passado este caso, logo em seguida surgiu um cisto pilonidal em mim, uma espécie de tumorzinho que eu vou ter de operar pra tirar. Senti muita dor novamente e tomei remédios fortíssimos. O cisto desinchou, porém os remédios induziram uma gastrite. Gastrite medicamentosa. Meu estômago ficou horrível por semanas, quase não comia. Fiz endoscopia, não deu nada. Minha imunidade ainda tava baixa e, para piorar, peguei gripe.

Eu tenho plena consciência que isso tudo não passa de uma extensão da depressão e do estresse que eu mesmo me coloco diariamente. A necessidade de ter tudo certo me deixa louca.

Mas o que fazer?