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Sentir saudade não é estar preso no passado.


Segui o twitter de um cara. Um escritor. Ele fala muito sobre a saudade. Um dos tweets dele me chamou atenção, era o seguinte: 

"Hoje a saudade me disse que sentir saudade não é estar preso no passado."

Fiquei pensando que, até então, eu me agarrei às coisas ruins que aconteceram pra não fraquejar. E mesmo assim, mesmo estando bem, era inevitável eu não ter algumas recaídas. Eu sou humana, no fim das contas. Agora, eu consigo lembrar de tudo numa boa, sem morrer de vontade de voltar ao passado. Agora, neste momento. Pode ser que daqui a 5 minutos eu não consiga mais, e nos próximos 5, consiga de novo. Ainda tô um pouquinho instável, porém nada comparado ao início.

Mas eu não deixo de ter saudade. Eu nunca tive saudade de alguém antes, verdadeiramente falando. Afinal, "Saudade é pra quem sente amor. Sentir falta é pra quem sente vazio. Só um buraco". Realmente, antes eu apenas sentia falta. Posso afirmar que, saudades mesmo, eu só sinto de uma pessoa. Sinto saudade de como tudo começou, das conversas que eu apaguei, das fotos zoadas, do arroz carreteiro com pimenta calabresa, dos memes idiotas e das palhaçadas. Até saudades dos funks na Afonso Pena, eu sinto. Sinto saudade de compartilhar o peso da minha vida com alguém. Saudade de conversar sobre filmes, como era no começo. Saudade de ter uma pessoa que mudou por mim, apenas pra me conquistar. 

Todos mudamos muito. Eu não sei se o relacionamento existiria se eu conhecesse tudo o que eu conheço da gente, lá no começo. Mas fico feliz de ter existido. Aprendi muito mesmo, já que era tudo novo pra mim. Sinto saudades de continuar aprendendo, e também de falar cheia de orgulho sobre o cara que era meu pra qualquer um que perguntasse. Das mensagens de "bom dia" e "boa noite" diárias. Lá do meio, onde era tudo bem estável, e eu recebia memes no celular em plena tarde de terça-feira. Eu sempre vou sentir saudades do que eu vivi ao lado desse alguém. 

Pois saudades sentimos apenas do que foi bom.

Saudade é não saber.


"Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche."

– Martha Medeiros

"Você vai sentir a minha falta"


"Veja nossas fotos: a dupla imbatível, feliz e apaixonada, já foi embora. No lugar, ficou o vazio. Recorte-nos mentalmente e foque nos cenários, afinal, foi o que restou.
Aqueles trejeitos, planos, rotinas e hábitos que só nós entendemos não vão tirar mais sorrisos da boca de ninguém. Não adianta tentar construí-los e explicá-los para outra pessoa: só fazia sentido pra gente. Todas as nossas manias se perderão em um buraco fundo, onde é guardado aquilo que não resistiu.
Não haverá mais o “eu e você” que compartilhava cada degrau subido ao longo do tempo em que estivemos mais perto do topo. Agora consigo ver que foi ilusão imaginar que, lá em cima, encontraríamos um carregamento de paz. Para mim, isso iria se somar ao amor, tal como o amadurecimento. Ironia ver que foi justamente o contrário, não é? Chegamos e encontramos o fim.
Ali, cada um seguiu para um caminho, tocando a vida como se o tempo subindo juntos não tivesse de fato acontecido. 
Você faz isso de uma forma tão fácil que eu não consigo deixar de pensar: como é que você consegue? Deve ter uma senhora habilidade envolvida – ou, pelo menos, um descuido seu, ignorando a realidade. Porque eu ainda não consegui criar poderes que transformem o passado em uma mancha, daquelas que a gente olha e não entende nada.
Foram muitos momentos juntos – é por isso que não consigo derrubar um copo d’água e ver a tinta se transformar em borrão.
Mas sempre que sinto a sua falta congelar cada pequeno pedacinho por aqui, como se, desavisada, tivesse saído num frio de graus negativos sem nenhum agasalho, há outro pensamento que simplesmente não sai da minha cabeça: é impossível que a minha ausência não te afete.
Você ainda sentirá saudade de tudo o que a gente passou. Do que eu fui pra você.
Agora, bem sei, é recente. Na sua cabeça, você vive em um mundo ilusório, em que finge que tudo já ficou bem e que não precisa mais de mim para completar o final das suas frases, que não clama por nossas conversas diárias, que não quer ver o meu sorriso bobo, que não precisa rir das minhas besteiras e que, enfim, não necessita mais do meu amor para sentir o mar de sentimentos que nos invadia quando estávamos juntos.
Você coloca as brigas e discussões em primeiro lugar, como se antes e após todas elas não existisse uma vida feliz. Colocou um disfarce em nossa relação.
Tentando se justificar, acabou mesmo jogando tudo para o alto. Deu tchau e seguiu.
E no nosso adeus, muito de mim ficou em você e muito de você ficou cravado em mim.

A nossa única diferença é que eu não me comporto como se não soubesse disso, ignorando um pedaço que precisa ser alimentado e tratado, até entender como farei o caminho de volta. Já você, leviano, deixa tudo sem cuidado – como se não estivesse ali. Mas está. Eu sei que sim.
E ainda preciso dizer? Uma hora, toda a lembrança gritará. E quando doer em você, tenho medo de que, em mim, tudo esteja completamente cicatrizado.
Você vai sentir a minha falta."

– Au Sonsin (via depois dos quinze)