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Alto mar


Não sabia se escrevia ou não este texto. Mas como tudo na vida, achei que a história precisava de uma conclusão aqui também. E escrevo aqui, pois aqui é onde eu posso transparecer tudo. Eu me sinto... estranha. Me sinto estranha de não sentir nada daquilo que eu senti da primeira vez. Me sinto surpresa pelo meu corpo não sentir aquele turbilhão de sentimentos que quase me destruiu daquela vez. Vez ou outra ainda choro vendo um diálogo de Grey's Anatomy que se encaixa na situação, ou lendo um texto que pulou na minha frente. Mas não procuro motivos para chorar. Estou surpreendentemente calma, o que me faz pensar que talvez a tempestade ainda vá chegar.

Não consigo achar uma explicação para isso. Talvez seja o fato da minha rotina não ter sido alterada, já que ele não estava mais por aqui há algum tempo. Talvez, meu inconsciente havia entrado em modo "torça pelo melhor, mas se prepare pelo pior" e, quando o pior chegou, eu estava com os pés firmes no chão para não cair com o impacto. Não vou dizer que foi uma surpresa. Eu só pensei que a força de vontade bastaria. Mas nunca bastou. E eu aceito isso, pois minha consciência está cristalina. Eu fiz tudo o que eu pude, e fiz até mais. Segurei o barco sozinha quando o mar já estava turbulento. Mas como qualquer ser humano, não consegui manter tudo, pois era demais para um suportar sozinho. Doía. Eu precisava de ajuda. Eu gritei por ajuda, mas não tive resposta.

Lamento apenas pelo tempo perdido. Eu olho para o porta retrato que comprei semana passada no intuito de colocar uma foto de recordação ao lado da minha cama todos os dias, e não sei o que fazer com ele. Vou deixá-lo ali, pois não me atrapalha. Nada me atrapalha. É apenas... estranho. Me sinto chateada pelo fim, pois nunca foi minha intenção alcançá-lo. Eu tentei assumir erros que não eram meus, e dizia a mim mesma que eu devia me adaptar. Mas a TPM não permitiu que eu me adaptasse por alguns dias. Tudo bem. No fim, apenas me mostrou que eu tapava o sol com uma peneira. Amor não deve ser difícil assim.

Eu não podia assumir as responsabilidades de um outro alguém. Eu assumi as minhas, e tenho certeza de que as executei com destreza. Eu fui uma boa namorada. Eu me ajustei às mudanças, eu apoiei, eu demonstrei, eu fui flexível. Eu pus as diferenças de lado, pois nunca me fizeram querer desistir, e foquei em outras coisas. Apenas torcia para ter retribuição, que raramente tive. Eu fiz minha parte e, quando meu porto seguro se desfez novamente, sob às mesmas circunstâncias inflexíveis, eu voltei para o barco e deixei que a maré me levasse. Ainda tenho sete mares para explorar. 

Olhando para a costa agora, eu retiro o que eu disse antes: não o desejo mal nenhum. Desejo que siga sua estrada sem arrependimentos, e que um dia sinta que é hora de consertar o que há de errado em sua mente, como eu senti que era a minha. Quero que conquiste coisas boas, e se sinta livre, pois em nenhum segundo minha intenção foi de aprisioná-lo. Eu o amei de uma forma que nunca imaginei ser possível, de uma forma tão pura, tão boa, que seria imoral da minha parte desejar mal à alguém que uma vez me fez tão bem. Não vou diminuir nossos momentos bons. Foi um prazer imenso estar nesta jornada com ele. Digo adeus da forma mais sincera que eu encontrei, sem nunca saber se isso vai alcançá-lo. É como atirar uma mensagem em uma garrafa em alto mar. Agradeço por tudo, principalmente por me mostrar como é amar alguém, e por me fazer crescer. Eu o amo como a pessoa importante que ele foi na minha vida. E agora, o deixo ir.

Nova Pessoa Antiga


Aquelas descrições sobre o amor ser como uma droga viciante subitamente começaram a fazer sentido. Compreendi que tinha caído nesse vício em algum ponto da minha vida, e que deixei que tomasse controle dela. E agora, passei a enxergar o quanto isso mudou meu modo de ser. É verdade que eu mudei completamente. Eu sabia disso, mas não conseguia ver que tinha mudado para pior. Para mim, todo esse sentimento que eu sentia deveria transparecer, já que nunca tinha acontecido antes. Deixei que o sentimento novo que era o amor tomasse conta de mim, me perdi, perdi minha essência. 

Só depois percebi que perdi o melhor de mim. Minha independência como pessoa, minha autoestima e auto aceitação. Meu controle e minha razão. Foi isso que atraiu o amor até mim, e foi minha visão distorcida do amor que me fez perder essas qualidades. Agora, e somente agora, percebi isso como verdade. E vou lutar para recuperar quem eu era antes. Vou descobrir um jeito de balancear o amor com meu ser original, e não deixar que eu vire algo que eu nunca tinha sido antes. Não há motivos para tal.

Continuo achando o amor um sentimento bom, daqueles que aquecem a alma e te preenchem. Porém, amor serve para transbordar o que já está cheio, não para encher o vazio. E aparentemente, era o que ocorria comigo. Deixei a responsabilidade de me amar apenas em um único ser, quando o amor próprio deveria ser a base deste outro. Eu me esvaziei, acreditando que era de amor que se vivia. Bem, é sim. Mas principalmente do próprio. Sorte de quem possui ambos.

É hora de perceber que eu tenho a sorte de ter um amor que me fortalece e começar a lutar para me recuperar. E eu, quando começo, não desisto até ter tido sucesso ou até não ser mais possível. Eu vou conseguir. Não posso mais ser tão superficial, tão fraca, e me deixar atingir pelo que não é importante. Importante é estarmos bem conosco e com quem nós amamos. Superficialidades estão proibidas a partir de agora. Vou me esforçar ao máximo para não me permitir cair e chorar pelo que não importa de verdade, e passar a dar esta importância para o que realmente precisa. 

Prazer, meu nome é Isabela. Eu havia me perdido. Perdi minha essência para um vício, acreditando que era o melhor para mim. Demorei um ano para me redescobrir, e reconheci em mim que eu era forte antes de me perder. Reconheci que o amor era melhor antes de eu fazer dele minha única fonte de paz. Reconheci que preciso mudar. Daqui para frente, sou uma nova pessoa, que ironicamente vem a ser a pessoa antiga. A que tinha consciência que amor vem para nos acrescentar, e não para nos preencher. Essa nova pessoa antiga será forte. Chega de chorar.

O que ela quer...


Sabe aquela garota que você conhece, tão fria e dura consigo mesma, tão preocupada com a vida? Ela só quer amar. Uma garota assim está transbordando de amor e quer alguém com quem se sinta confortável o suficiente para deixar todo o seu amor fluir. Ela quer dar atenção, fazer seu parceiro se sentir amado. Ela quer chegar no fim do dia, cansada, e ter alguém para conversar sobre o que ela fez no trabalho e sobre o aquele colega chato da faculdade disse para o professor. 

Quer falar sobre as dificuldades da vida e os problemas, sobre seus sonhos, e quer sentir interesse do seu parceiro com a sua tagarelice sem fim. Quer que ele a motive e que a ouça de verdade. Ela também quer ouvir, Quer saber como ele está e se ele resolveu aquele problema no trabalho, seus pensamentos, suas vontades, e quer se empolgar com tudo o que ele diz também. Quer compartilhar experiências, dividir conquistas, ir à luta, quer agradar.

Ela quer dar presentinhos para que ele se lembre dela sempre que dá e, se não der, ela se esforça para que dê. Ela quer ver o sorriso de gratidão e ouvir palavras bonitas, que a aconcheguem cada vez mais ao ninho da união. Manda mensagens perguntando como está o dia, e que sente saudades. Às vezes, nem assunto ela tem, mas ela se esforça para falar sobre qualquer coisa mesmo assim. Ela só quer conversar. Ela quer alguém para brincar e para chorar quando as lágrimas insistirem em cair, muitas vezes sem motivo algum. Quer ter certeza de que é boa para seu companheiro, e saber que ele teme a perder. Quer que ele saiba que ela ficará ao lado dele para sempre, contanto que ele lhe dê amor e respeito. Quer sentir que tem alguém ao lado dela e quer demonstrar que está presente também, pronta para o que der e vier, na alegria e na tristeza. Quer se sentir amada tão quanto quer amar.

Quer se sentir importante e especial, pois ela sabe que todo esse amor que ela carrega em si não é simples. É algo intenso, poderoso. Forte. Tão forte que ela tem medo de ser forte demais. Talvez, se ela achar alguém com quem ela se sinta bem ao desnudar a mente e a alma, ela tente se segurar. Deixará que um pouquinho do seu amor transborde para ver se ele é correspondido e, se não for, tentará suprimir. Não quer afogar seu parceiro, quer apenas o seu bem. Mesmo que, para isso, deva sacrificar seus sentimentos. De novo.

Talvez, ela descubra que o amor deve ficar guardado mesmo. Que o mundo "lá fora" é malicioso demais para algo tão puro, Que, no fim, ninguém queira amor em excesso. Mas ela nunca deixará de querer amar. Ah, tudo o que ela mais quer é poder amar...

Impossível


Parece que eu vivo em uma mentira. Que cada palavra dita foi apenas para amenizar uma situação, e não foi verdadeira. Eu não consigo lidar com isso. Preciso ter confiança, mas como é possível depois de um sofrimento tão palpável? Como é possível, se eu não sei dizer se tudo é real ou se não passa de uma mentira bem contada?

"Oh simple thing where have you gone,
I'm getting tired and I need someone to rely on"


Eu fiz o absurdo. Não me reconheci naquela ação, mas fiz, pois não sabia mais o que fazer. Não tinha a quem recorrer, pois quem poderia esclarecer minhas dúvidas costumava falar apenas o que eu queria ouvir. Fiz o absurdo, li diálogos que machucaram e mais uma vez, senti meu coração parar e meu estômago revirar. Senti ódio e um nojo sem tamanho. Me senti traída. 


"What a wicked game to play
To make me feel this way
What a wicked thing to do
To let me dream of you"

E doeu. Doeu como a primeira vez, se não pior. Sofri como se a dor fosse a única verdade que eu conhecia. Chorei. Gritei. Me angustiei. Quis desistir, quis continuar, quis tudo e não quis nada. Não sabia o que eu queria, no fim das contas. 


"And I will stay up through the night
Let's be clear won't close my eyes
And I know that I can survive
I'll walk through fire to save my life"

Ou melhor, eu sabia. Queria que nada disso fosse verdade, e que o tempo voltasse, porém que os aprendizados permanecessem. Queria não sentir nada, e queria acreditar que eu não merecia sofrer. Não de novo. Nem nunca.


"Once upon a time, I was falling in love
But now, I'm only falling apart
There's nothing I can do
A total eclipse of the heart"


Outra vez, fiquei no abismo da insanidade. Sem reagir, sem crer, sem absorver bem. Ouvi dizeres e desdizeres que me machucaram. Ouvi meu coração dilacerar, e minha cabeça gritar "eu avisei" em um timbre impossível de suportar. Senti minha mente revivendo tudo de maneira cíclica, e meu corpo reagindo a isso com tremores e espasmos. 


"I'm deafened by the silence
Is it something that I've done?
I know that there are millions
I can't be the only one who's so disconnected"

E vi o fim do túnel. Parecia perto. Parecia o caminho mais fácil. Correto. Caminhei em direção a ele como se fosse uma ilha em meio a mar aberto. Considerei deixar as ondas me levarem até ela, e que levassem embora a dor depois. Que seria melhor não insistir em algo impossível. Que, um dia, eu veria que foi o melhor. 


E então, eu hesitei. 

Hesitei mais uma vez, e fiquei com raiva de mim mesma por hesitar. Senti a angústia no meu peito de não conseguir fazer o certo, e por novamente tender a ir para o que era bom. O que era confortável. O que era meu. 


"Oh, but I'm scared to death,
That there may not be another one like this,
And I confess that I'm only holding on by a thin thin thread"


Meu. Meu pilar, meu lar. Parecia que tudo estava ruindo novamente, e eu não tinha em que me segurar. Mas o chão não se desfez. E eu pensei que, talvez, eu conseguiria construir uma nova moradia ali, sem ter de sair ao relento e ter de fazer a minha própria alma de lar. Talvez, insistir neste chão que uma vez me trouxe aconchego não fosse algo tão irracional assim. A razão novamente gritou em desaprovação, mas o coração aplaudiu. 


"And we can learn to love again.
I never stopped,
You're still written in the scars on my heart,
You're not broken, just bent,
And we can learn to love again"

Talvez eu comece a construir. Primeiro, paredes em que eu confie que vão me proteger do vento cortante, e então janelas que me permitirão vislumbrar o futuro. Um teto para que as lágrimas do céu não caiam em mim, e também, uma porta. Uma saída, um escape por onde eu possa correr em direção ao campo aberto e solitário, se minha casinha ameaçar a ruir de novo. 


"It's in my head, darling I hope
That you'd be here
when I need you the most"

Impossível saber quanto tempo levará para eu ter um lar para chamar de meu novamente. Impossível que não seja feito de forma lenta, com cuidado, pois a pressa é inimiga da perfeição. O que é fato, entretanto, é que com ajuda tudo fica mais fácil. Mais rápido. Simples. O que resta saber, no fim, é se a ajuda vem, ou se vou ter de fazer tudo sozinha. 

Amor acaba?


Me peguei refletindo sobre o fim do amor. Ele realmente acaba? Claro que, em certos casos, somos forçados a matá-lo – destruí-lo aos pouquinhos até que não sobra nada – pois a pessoa que amávamos foi embora para nunca mais voltar. Mas e nos demais casos, o amor realmente acaba, ou somos nós que o destruímos? 

Se o amor existe, no momento que você percebe que ele perdeu a força, por que não buscar entender o que está acontecendo e melhorar? Ou, pelo menos, tentar melhorar? É amor, cara. Amor não se acha em qualquer esquina, não o verdadeiro. Se um dia você achou amor de verdade e viu que ele perdeu a força, por favor, lute por ele. Tente compreender, faça algo a respeito. Tem certeza de que nada pode ser feito pra chama desse sentimento continuar ardendo forte? Sabe, às vezes é normal o fogo ameaçar apagar. É só colocar um pouquinho mais de lenha. Então tente. Tente até ter certeza de que você realmente ficará melhor sem ele. E, depois de esgotadas todas as alternativas, talvez você perceba que é hora de deixá-lo morrer de causas naturais. 

Mas não desista antes de lutar. O amor vale a pena. Não se esqueça. 

Vale a pena lutar por amor?


Moça, escuta. A gente precisa conversar. Eu sei, você não quer ouvir, mas é preciso, sabe? Moça, o amor é lindo. Amor de verdade, daqueles que tiram o fôlego. Não é por qualquer um que você sente isso, não. É especial. Mas algumas pessoas não são especiais o suficiente pra ser o motivo desse teu sentimento tão puro. É o mundo. O mundo é malicioso demais pra esse tipo de coisa. Você precisa decidir muito bem em quem você deposita esse sentimento pra não se machucar depois. 

Mas moça, algumas pessoas valem a pena, né? E normalmente, são as pessoas que não fazem ideia disso. Você se apaixona por elas, e as vezes elas não fazem a mínima ideia. Ou até fazem, mas têm medo. Quem nunca sentiu medo de amar, que atire a primeira pedra. Aqui vai meu conselho: tenta. Tenta, sim. O coração sabe o que quer, e se a cabeça não concordar, segue o coração uma vez. Só uma vez. Se permite. Se teu coração te manda buscar alguém, busca, sim. Com cuidado. Não joga todo o turbilhão de amor que você sente em cima de alguém porque amor assusta, moça. Vai com calma, devagarzinho. Vê o que você recebe em troca. Você vai saber se deve continuar ou não. 

Seguir por esse caminho já não depende só de você, não esquece disso não. Depende da reciprocidade. Você dá amor, mas recebe indiferença? Não serve. É hora de deixar a razão tomar o controle da tua vida, e deixar o coração descansar. Mas às vezes, moça, só as vezes, acaba por dar certo. Você recebe carinho, atenção e amor. Você se sente protegida. E é aí que você sabe que vale a pena. E, com o mesmo cuidado, você vai criando laços. Vai regando, deixando aflorar. Deixa fluir. O que tiver de ser, vai ser.

Mas se prepara, moça. Na maioria das vezes, não é um caminho fácil. Na maioria das vezes, dá errado, mesmo. Olha, tenta manter a calma. Eu sei que dói quando não dá certo, dói muito mesmo, mas é que certas coisas não foram feitas pra serem suas. Certas coisas não te pertencem, pois outras coisas maiores virão pra você. Tudo passa, moça. A dor passa, e você se reconstrói. Fica calma. Esses momentos serão ótimas histórias pra se contar no futuro. Se não der certo, pega tudo de aprendizado, coloca na mala e segue teu caminho. Vai ficando mais fácil com o tempo, eu prometo. Só tenha paciência.

O amor vale a pena. Amor é aquilo que você não pode desistir fácil, mas também não pode insistir pra sempre. O amor vale a pena, mas não em todas as vezes. Se você viu que não tá dando, tudo bem! Pode deixar ir. É melhor. Mas moça, se você sentir no fundo do seu coração que ainda existe uma esperança escondida, vai a luta! Luta, sim, mas não gasta toda a tua força nisso. E espera. Torce pro melhor, sempre, mas se prepara pro pior, que o que pode vir pode te arrasar. Mas vai ser o que você precisa pra deixar tudo pra trás. Espera, vê o que dá. Existem pessoas que não foram feitas pro tipo de amor puro que você tem pra oferecer. Mas existem aquelas que foram. Aquelas que te transbordarão de sentimento, que te farão se sentir nas nuvens, que irão te fazer acreditar que vale a pena, sim. Por esse amor vale a pena lutar. Mas você, moça, vale muito mais. Não esquece disso.

Pra moça dessa pergunta aqui.
Boa sorte ♥

Me diz o que é amor pra você.


Novamente, esse post não tem nada a ver com ninguém além de mim mesma e meus sentimentos. Só deixando claro.

Amor. Eu tinha uma ideia diferente de amor antes de amar. Pensava que amor era ajudar uma pessoa querida, estar presente quando alguém pede (ou não), enfim, estar ali. Apenas isso. Depois que amei, percebi que vai muito além. É um universo completamente novo e vi que temos muitos sentimentos a descobrir.

Amor.

Amor é querer, acima de tudo. É querer amar, estar presente, ser presente. Amor é cuidar do outro, não só quando estão doentes, mas quando estão cansados, frustrados, quando se sentem para baixo. É tentar de todas as formas proteger o outro do mal do mundo, se preocupar quando estão incomodados com algo É tentar entender o que se passa no mundinho de outra pessoa e, se possível, fazer parte deste mundinho também.

Amor é fazer rir. É trazer alegria. É ter um abraço onde o outro se sinta seguro. É ser moradia, ser família, ser prazer. É estar junto em todas as situações, boas e ruins (principalmente as ruins). É ser certeza, quando todo o resto é dúvida. É compreender, ajudar. É ser um porto seguro quando a outra pessoa não consegue se bastar (acredite, esses momentos acontecem com todo mundo). É acreditar nesta pessoa, mesmo quando ela já deixou de acreditar em si mesma. É confiar. É respeitar. É se importar.

Amor é não desistir. É tentar, insistir, lutar, mesmo quando tudo parece dar errado. É ser disposto. É emprestar sua força para o outro quando ele está caído no chão, sem forças para seguir em frente. É puxar sua mão na direção certa. É apoiar as decisões, e avisar quando algumas dessas decisões não são boas. É brigar, discutir, por para fora todo o sentimento. É se reconciliar depois da briga, pois a saudade fica maior do que o orgulho. É entender o outro. É procurar crescer, incentivar. É conhecer a pior versão da outra pessoa, e mesmo assim querer ficar. Querer ajudá-la a ser melhor.

Amor é ter medo. Amar de verdade dá medo, sabe? Amor é ter medo, mas é ir com medo mesmo. É se entregar e se permitir ser feliz. É ter alguém para dividir o peso da vida. É viver. Viver é difícil. Morrer por alguém é fácil, o difícil mesmo é viver por alguém. Com alguém. Amor é isso. É ser intenso, é ter fogo e querer que o outro sinta este calor.

Amor é conversar. Dialogar. É por todas as cartas na mesa, identificar o que está bom, o que está ruim, o que pode ser melhor. E, depois disso, amor é se desculpar. É assumir os erros e mudar. Conciliar. É olhar nos olhos do outro e dizer: "me desculpe, eu vou melhorar, pois você é importante demais para eu perder". É sinceridade. É ser forte. Ser sincero ao dizer e ao ouvir o que está errado, e ser forte o suficiente para tentar fazer dar certo. Amor é, mesmo que não dê certo no final de tudo, ter tentado de todos os jeitos. É ter a consciência tranquila de que o possível e o impossível foi feito para dar certo.

Amor é deixar ir. Não, não é desistir. É quando você ama intensamente, e a outra pessoa já não ama mais. E mesmo que nosso amor seja infinito, não é possível amar por dois. Amor é aceitar que a felicidade da pessoa que você mais ama na vida não é do seu lado e deixá-la ir. Torcer para que ela encontre alguém que a faça se sentir do jeito que você se sentiu com ela. Amor é sacrifício, no final.

Depois que eu amei, com tudo o que aconteceu, eu pensei em desistir do amor e voltar a pensar nele apenas como "estar ali" para quem precisar. Pensei que algumas pessoas talvez não gostem do amor. Será possível? Pensando bem, acho que todas as pessoas querem ser amadas de forma intensa. Não é lindo ter para quem voltar quando tudo deu errado? Quando você está cansado demais até para ficar em pé, e poder desabar no colo de alguém? Escutar palavras reconfortantes quando tudo o que você quer é que o mundo acabe? Eu não acredito em pessoas que não querem amor.

O que eu acredito é que essas pessoas tem medo e que não conseguem transpassá-lo. Pessoas que não se acham dignas. Que pensam não ter nada a oferecer em troca desse turbilhão de sentimentos. Pois eu digo a vocês: se alguém o ama com toda a força do amor, não é necessário dar nada em troca. Não é necessário dinheiro ou presentes. Se alguém o ama, é porque você já ofereceu o que tinha de mais precioso: motivo para amar. E a pessoa que o ama não quer nada, apenas reciprocidade. Quer a ter a sorte de receber um amor tão intenso quando o que oferece. Amor. Uma pessoa que dá amor, apenas quer amor em troca. Só isso.

Então, contrariando tudo, eu não vou desistir do amor. Eu sofri por amor, sim. Mas o que eu senti ali foi algo que eu não pensei ser capaz de sentir. Eu estou disposta a sentir de novo. Não sei quando, não sei por quem, não sei nem se um dia acontecerá, nem se será na mesma intensidade. Mas é bom. Eu me senti bem pela primeira vez em toda a minha vida. Eu me senti bem amando e sendo amada. Eu me senti bem.


Perdões e agradecimentos.


Primeiramente, quero dizer que tudo o que eu escrevo nesse blog reflete a minha realidade. A minha. É o meu diário pessoal, é onde eu deixo registrado tudo o que se passa na minha cabeça, tudo o que é real pra mim. Não significa que é real pra todos.

Segundamente, quero pedir perdão. Com tudo o que foi dito hoje, eu percebi que faltou isso. Os outros textos podem até ser bem montados e exaltarem apenas o outro lado da história, mas eu não sei qual parte do ocorrido é minha culpa. Aparentemente, existe uma boa parte que sou responsável. Então, vou pedir desculpas por tudo.

Desculpa por eu ser estressada demais. Por eu ser um tanto controladora, juro que eu tô melhorando, pois eu percebi que eu tô ficando exatamente como um alguém que eu nunca gostei. Desculpa por ser agressiva no meu modo de falar. Desculpa por não conseguir lidar com os problemas da minha família e só sair de perto. Por ser muito teimosa e por ter muita raiva. Por exigir demais. Por tentar fazer com que uma outra vida se encaixasse na minha, quando essa decisão não era minha. Desculpa por retrair ao toque, é outra coisa que também tô tratando. Por não ter paciência. Por não aceitar a vida como ela é. Por surtar. Por quase morrer quando as coisas dão errado. Por deixar algo pessoal atrapalhar. Por não ter pedido ajuda. Por ter zoado demais. Por não respeitar o modo de ser de outra pessoa. Desculpa por não aceitar que cada um tem o seu tempo e seu jeito e por querer tudo do meu jeito. Desculpa por ter entrado na zona de comforto e ter deixado de fazer as coisas que fazíamos antes. Desculpa se em algum momento eu deixei de corresponder o que era esperado de mim. Desculpa por tudo.

Terceiramente, quero agradecer. Obrigada por me fazer crescer, me ensinar a amar. Eu não sabia o que era isso, e descobri que é algo lindo! Obrigada por me fazer mudar, uma vez que eu achava que amor era pra gente fraca. Acontece que o amor é pra gente forte demais, e dei sorte de ser uma dessas pessoas, mesmo que por um tempinho. Obrigada por me deixar desabar, por me segurar algumas vezes. Obrigada pelo fim, também. Foi por causa dele que eu consegui enxergar tudo o que tava errado e por causa dele que eu tive coragem e força de vontade pra mudar. Obrigada por esse ano. Vou guardar as memórias boas no meu coração e vou me lembrar delas quando fizer um pavê de kit kat, quando eu colocar as duas colheres de maizena na panela. Obrigada por tudo.

Quartamente, quero dizer que esse texto não tem como objetivo repensar as ações que foram tomadas. Embora todos os textos se tratem de uma única pessoa, não são indiretas (lugar de indireta é no Twitter). São palavras presas na minha garganta que eu queria gritar, mas não tenho mais essa chance. Tem objetivo único e exclusivo de tirar os pensamentos que ficam rondando na minha cabeça e os transferir pra outro lugar. De passar por cima do orgulho, da minha própria personalidade forte de quem não abaixa a cabeça e dizer:

Perdão por tudo e obrigada por tudo também. 

EDITADO EM 08/02/2017 - 19:35

Pode entrar, só não repara a bagun... ah...


Minha vida tava tão bem. Tudo encaminhado. Até você aparecer.

Apareceu, entrou, e depois de um tempo (sim, pois demorei muito pra me entregar ao relacionamento, e quando me entreguei...) você bagunçou tudo. E foi embora. Simples assim. 

Que bagunça boa essa que fizemos juntos. Que ano! Mas, e agora? Você me deixa aqui, pra arrumar a bagunça sozinha, né? Recolher tudo, colocar em uma caixa e colocar em um lugar bem alto, bem escuro, onde eu não alcance. Agora você me deixou com receio de fazer isso de novo, pois sempre vou lembrar de quanto foi difícil arrumar tudo sozinha. Vou lembrar de quanto tempo levou. Uma amiga diz que leva mais de um ano! Poxa vida! Um ano de um bom relacionamento e vou precisar de mais de um ano pra superá-lo! Chega a ser injusto, né?

Anseio pra que esse ano passe, avance pra quando eu consiga superar. Se é que um dia vou conseguir. 

"Traumatismo craniano por mergulhar fundo em pessoas tão rasas"

Compilação de insistências sem fim escrita por pessoas que não conheço.


[...] Escolha aquela que não desiste de você, que te aceita como você é. Aquela que conhece os seus defeitos, mas te faz querer ser melhor. Escolha aquela que se esforça para te fazer sorrir, mesmo nos dias difíceis. Aquela que não esconde o quanto é feliz quando você está por perto. Escolha aquela que já te escolheu, e faça esta escolha por inteiro, sem meio termo. Não a deixe escapar… escolha ela. Escolha ser dela. E deixe que ela seja sua também.

– Milene da Mata

Ei, o que você está fazendo? Esperar perder para valorizar chega a ser clichê. Ela já sabe que quem se importa, dá um jeito! Então nem tente… você não vai convencê-la com desculpas vazias. Ela é dona de suas atitudes e sabe muito bem o que quer. E veja só a sua sorte, entre 7 bilhões de sorrisos ela quer o seu, e é a sua risada que ela escolheu misturar com a dela. [...]

– Milene da Mata

[...] Amar alguém é transformar uma briga num ensinamento. [...] Amar é precisar desistir, é perder todas as forças, mas apesar disso continuar a insistir.

– Jessica Pellegrini

Amor de verdade deve ser consertado, e não jogado fora [...] O que mais me impressiona não é sequer o “felizes para sempre” estar quase que em extinção, mas sim a coragem que as pessoas têm de, quando não conseguem fazer as coisas darem certo e enfrentarem dificuldades juntas, se consolarem com o simples “Não era para ser…”. Porque afinal, a culpa toda é do destino. [...] Durante muito tempo eu fazia do amor um cálculo matemático errado: eu pensava que, somando os bons momentos, eu amava. Agora eu sei que somando os bons e os maus momentos é que se ama verdadeiramente. Paixão e carinho caminham juntos, mas para amar é preciso muito mais.

– Ana Paula Mattar

Desistir é para os fracos. Pronto, já disse. Não suporto casais que ao fim de um ano de namoro desistem um do outro por causa de uma briga sem jeito nenhum. [...] Onde está a mulher lutadora que nunca desiste de nada? [...] Um casal, deve saber ser paciente e compreensivo. Deve saber escutar com muita atenção o que o outro diz. E nunca desistir um do outro, quando o amor é real. Nunca!

Porque desistir é para fracos, e o amor é forte!

– Ana Santos

[...] Então não a deixe ir embora a menos que você tenha a certeza de que você não vai sentir a falta daquele sorriso e daqueles domingos em que vocês ficavam juntos sem fazer nada e eram os melhores do mundo. [...]

– Miguel Camacho

[...] Por amor a gente fica quando, mesmo com tantos tombos, mesmo com tantos erros, o outro não quer partir. [...] A gente fica quando as coisas não vão bem e o outro se importa com isso, conta uma piada sem graça como quem quer tirar um riso teu. A gente fica quando sente ser verdadeiro, quando sente paz. Quando sabe que o outro está disposto a ser morada e fazer morada em nós. Sem desculpas, sem mentiras. [...] Não há nada que se compare com um coração em compasso de espera. Um coração que só consegue ver pontos de interrogação e não encontra coerência nas peças soltas da sua história. Fica tudo parecendo um enorme quebra cabeças cujas peças não se encaixam, uma história confusa onde não há lógica entre o que foi dito e o que foi realizado. Fica faltando nexo. [...]

– Fabíola Simões

Existem aproximadamente 7  bilhões de pessoas no planeta. Hoje em dia, com a tecnologia, nós podemos conversar com alguém de outra cidade ou até da China. Nós podemos sair, curtir e fazer sexo todos os dias. Nesta vida de diversão e alegria, nunca foi tão fácil encontrar qualquer companhia para passar o dia.

Mas me responde uma coisa: Quantas pessoas neste mundo vão ficar ao teu lado quando você tiver desempregado, sem dinheiro e desanimado? Quantas pessoas deste mundo vão ficar ao teu lado quando você tiver doente e cada osso, cada músculo do teu corpo gritar de agonia, quantas pessoas neste mundo você acha que ficariam ao teu lado para segurar a tua mão todos os dias?

Quando você chegar em casa cansado, furioso com o chefe e estressado com o trabalho, quantas pessoas neste mundo você acha que ouviriam todo o teu desabafo e no final ainda te dariam um abraço? Quando você estiver no escuro, com o coração partido e perdido, quantas pessoas neste mundo você acha que pediriam para uma estrela iluminar o seu caminho? Que vão aceitar os teus problemas e as tuas inseguranças de menino? [...] Meu amigo, se você olhar bem de perto, você vai entender. Se você tiver sorte, vai encontrar apenas uma pessoa que despertará o melhor de você. E quando isso acontecer, não a trate como qualquer uma. Trate-a como única. Não é pedir demais. Cuida bem da única pessoa que amanhã estará contigo, aconteça o que acontecer.

– Ique Carvalho


Entre todas as opções, você foi a melhor escolha.


Deixa de insegurança. Se eu te escolhi é porque gosto. É porque tenho certeza que é contigo que vale apostar. Se eu está contigo não tem erro, não tem "os outros" que me tirem de você. Confia no seu taco. Olha só pra você. É para os seus braços que eu corro quando algo não sai como eu planejei. É com você que eu me declaro diariamente e faço por você o que nenhuma outra foi capaz de fazer. É pela gente que eu sempre insisto e faço dar certo. Não permita que seus pensamentos infundados estraguem o que nós construímos. Olha, quando existe amor, nada consegue atrapalhar. Cabe a mim saber onde piso e o que absorvo, e não absorvo suas negatividades, você não me faz mal, apenas bem. A vontade é uma só, o desejo por você continua independente do que nos rodeia. Confiança e respeito é a base, se existe isso, todo o resto conspira pra que continue dando certo. Deixa de noia e se joga no que é seu. É com você que eu faço planos e construo um futuro. É com você, cara. Entre todas as opções, você foi a melhor escolha. 

– Rogério Oliveira (adaptado pra minha vida)

Paranoias. Mas dessa vez, as minhas.


Não consigo deixar de pensar no que aconteceu por um segundo sequer. Fico pensando, repassando tudo na cabeça pra tentar entender onde foi que eu errei. O que eu fiz de errado? Não deixo de pensar que talvez eu não estivesse errada, era só ele que não estava no caminho certo.

Em meio a tantas dúvidas, eu penso: "será que existe outra pessoa?", "será que ele tem saudade da vida de solteiro?", "será que tem medo do compromisso?", "será que não fui boa o suficiente?". As respostas que surgem na minha mente me matam. Pois não há explicação. O motivo dado pro término foi tão vago, e a recusa de repeti-lo só me intriga ainda mais. Não me deixa viver. Eu preciso de uma conversa sincera, pessoalmente, onde minhas dúvidas sejam sanadas. Caso contrário, eu continuarei pensando besteiras – que talvez nem sejam besteiras –.  Eu penso que mereço isso uma conversa franca, sem rodeios, só pelo fato de estar passado pelo inferno agora, sozinha.

Quero perguntar se, caso existisse a chance de voltar atrás, se o namoro existiria. 
Quero perguntar se a vida comigo não foi feliz o suficiente para esquecer as alegrias de ser solteiro.
Quero perguntar como é a reação dele quando – e se – ele me imagina com outra pessoa.
Quero perguntar se ele faz ideia de como dói quando eu imagino ele com outra pessoa, mesmo que seja só por uma noite.
Quero perguntar se tudo dói. Se, caso ele estivesse de bem com a vida, ele estaria comigo. Se, mesmo de mal com a vida, ele não preferia me ter ao lado dele só pra ter em quem apoiar.

E, acima de tudo, quero respostas. Reais. Não quero que tudo retorne ao que ele me disse via mensagem, onde ele mesmo disse que nada fazia sentido. Quero que me diga de novo, se necessário. Quero que pense antes de falar. E que me dê um motivo de verdade. Só a resposta, não adianta. Apenas falar "já tomei minha decisão" não vale nada. Quero saber o que levou a essa decisão, e quero que me escute falar o que eu faria pra melhorar, caso ele me deixe. Quero saber se, se a gente tivesse conversado, não seria diferente. Se não podemos conversar agora.

Eu, sim. Eu sofro de paranoia. Mas mesmo com isso, nunca considerei, nem por um único milésimo de segundo, acabar com tudo. E, o simples fato de que ele considerou – e fez – me faz pensar que sou descartável. Que não valho nada. Que uma fase ruim é o suficiente pra tomar meu lugar na vida dele. Me faz pensar que eu sofrendo do jeito que estou não é ruim pra ele. Que ele não liga. Que talvez nunca tenha ligado.

Sei que é difícil. Uma pessoa sem um norte na vida pode pensar que não serve pra nada, pra ninguém. Eu poderia ser o norte. Mesmo que tudo estivesse dando errado, ele me teria ali. Sempre poderia voltar pra mim. Tudo poderia estar caindo aos pedaços, mas nossa relação seria inteira, certa, real. Ainda pode ser assim. Gostaria de que ele não se esquecesse de que quando ficamos juntos, ele estava no fundo do poço e eu o ajudei a subir. Por que não posso fazer isso agora?

Se ele me ama do jeito que diz que ama, se não vai me esquecer como diz que não vai, se está sofrendo como diz que está, que me deixe ficar ao seu lado. Pois tudo que ele tinha era a mim, sem nenhuma incerteza, e tudo o que eu tinha era ele. E agora, não tenho nada. 

Mesmo que brigas futuras existissem, talvez elas tivessem um fundamento melhor que esta de agora e isso me deixaria menos frustrada. Mesmo que nada desse certo na vida dele, e ele descontasse em mim, eu estaria ali. Pois é isso que uma boa parceira faz, não?

Poderíamos recomeçar. Tudo do zero, olha só! Quantos casais têm essa chance? Poderíamos nos apaixonar um pelo outro de novo. Poderíamos desfrutar dos momentos felizes, e eu sei que tivemos muitos, e lembrarmos dessa fase ruim como um ato de fortalecimento. Que casais brigam, e voltam cada vez mais fortes. Que eu sempre estarei ali, independente de tudo. Que você estará ali por mim. Já que você está sozinho, ainda sem um norte, o que custa me deixar participar? 

Pra quem acredita em recomeços, nunca existirá finais.

Sobre ter o coração quebrado e a felicidade arrancada de você.


Logo eu. Logo eu, que sempre fui pé no chão. Que via essas meninas sofrendo por amor, e pensava "mas que idiotice, ninguém morre por amor". Agora eu me encontro morrendo um pouquinho mais a cada dia... Demorei tanto pra me entregar a alguém por medo do final. Quando me entreguei, o final veio de uma forma tão estranha que não me permito aceitar. Não aceito que tenha acabado porque meu parceiro pensa que é um peso na minha vida, que eventualmente me faria mal. Sabe, eu jurava que essa era uma decisão minha. E tinha certeza que, se um dia ele fosse um peso, nós sentaríamos, conversaríamos e chegaríamos à conclusão que nunca foi peso, e sim, leveza. Nunca fui tão feliz.

Seria mais fácil seguir em frente se não houvesse amor. Mas, como ele mesmo disse, me ama e o sofrimento pra ele é tão grande quanto o meu. Me ama tanto que não consegue suportar me tratar mal. Nunca tratou, mas tinha medo de que um dia acontecesse. Me ama tanto que me faz sofrer. Não que eu acredite nele, pois se uma pessoa está sofrendo por não ter outra que a quer está apenas jogando fora a felicidade própria e do outro. Mas eu... eu continuo sem entender. Sem aceitar. Tentando insistir, lutando, pois eu, que nunca vivi um amor, não estou pronta pra deixar ir. Se é tão verdadeiro e me fez tão bem todo esse tempo, não me parece certo desistir de tudo por conta de uma paranoia dele. E olha que de paranoia eu entendo bem.

Eu, em todo meu desespero, procurei ajuda em todos. Em amigos meus, em amigos dele... Até agora, ninguém parece ter compreendido. Uns disseram que ele já estava estranho ultimamente. Eu também vi isso, de longe. Mas pensei comigo mesma: "acho que ele me acha chata quando insisto perguntando o que aconteceu, dessa vez, vou deixar quieto até onde eu aguentar". Pois no momento que eu não aguentei mais, que eu não suportava ver como ele estava triste e não saber ao menos o motivo, tudo desabou.

Muitos dos meus amigos mais frios, mais desacreditados no amor – exatamente como eu era, por sinal – me aconselharam a não desistir. Se o amor é recíproco e tão verdadeiro, eu devia esperar a tempestade passar e não desistir. Nunca fui de desistir, mesmo. Não quando se trata de algo que eu acredito.

Poucos amigos me disseram pra deixar pra lá. Disseram que não vale a pena lutar por amor. Mas, amigos, não é por amor que eu estou lutando, afinal, o amor já está lá. É pelo espaço. É pela chance de somar. É pelo meu direito de escolha, que foi tão cruelmente tirado de mim. O amor? Ah, o amor era, e ainda é, intenso. O amor em cada mensagem de "chegou bem?" que eu recebia. Até que um dia, não recebi mais. Que choque. Que dor. Que falta eu sinto.

Agora, eu não sei mais. Cada célula do meu corpo me diz pra não deixar ir de jeito nenhum. Mas "embora eu queira muito, mesmo querendo em dobro, não posso querer por você". Não posso, não posso fazer com que outra pessoa ceda à felicidade. Mesmo que me doa cada vez mais, mesmo que eu veja por aí que ele esteja tentando levar uma vida sem mim sabendo que não é o certo, eu não posso. Fiz o possível e o impossível pra isso, mas no final, não é uma decisão minha.

Me despedaça. Me quebra. Me mata. Me dói. Dói pois ele mesmo disse que sempre fiz bem a ele. Que era muito bom me ter ao lado dele. Eu sei que era, pois era recíproco. Era ótimo ter alguém pra quem voltar. Ver que alguém cuidava de mim em meus momentos mais sombrios. Que estava ali, pronto pra mim. E agora que eu me vejo na mesma situação, ele não me deixa estar ali. Vê? Cada vez faz menos sentido. Se é amor, deveríamos nos permitir senti-lo, não nos privar dessa alegria.

Pois agora, eu espero. Resisto ao impulso de encontrá-lo em qualquer lugar, abraçá-lo e nunca mais soltar. Resisto a mandar mensagens falando tudo de novo, e de resposta, apenas receber "tudo isso já foi dito", "estamos repetindo tudo de novo", "eu já te expliquei" quando tudo que eu queria era que fosse explicado de novo e de novo até ser nítido que as próprias palavras não tem sentido. Que não se pode trocar a felicidade dele – e consequentemente, a minha – por algo irreal.

Eu sou real. Eu sinto dor. Dor emocional, dor física. E me dói mais ainda saber que ele finge não ligar. Que segue a vida dele tentando não pensar nisso. Na dor que me causa, quando tudo o que ele precisava fazer pra que isso pare, era voltar. Eu posso ser o melhor pra ele. Posso enfrentar as piores crises do lado dele. Posso ser o porto seguro dele como ele é o meu. A crise nem veio, e ele resolveu por si só jogar tudo fora. Meu amor, meu primeiro e único amor. Tempestades fortes vem e vão. Você só precisa ter alguém a quem se agarrar. Eu sei que você disse que nossa relação foi um erro – e você não faz ideia do que isso me causou – e me disse que eu iria encontrar alguém pra me fazer feliz. Você já me faz feliz de uma maneira que eu nunca fui. Nós somos épicos. Perfeitos um para o outro, mesmo em meio a tantos defeitos.

Mesmo você não se achando digno de me ter, eu, seu amor em carne e osso, digo: Nunca vou desistir de você.

Te espero. Por favor, não me esqueça. Não tente encontrar conforto em outros corpos. Eu estou bem aqui.

Eu te amo.

Com amor – e muito –, Isa.

Dependência

Acontece. Quando uma pessoa que você ama te deixa magoada, não por culpa dela, mas porque você tomou algo que ela fez/disse como ofensivo para si. Ou quando essa pessoa tá estressada com algo e desconta em você. Ou quando acontece algo que foge do seu controle, e isso deixa a pessoa irritada. E, por consequência, te deixa pior do que você já tava. Tão pior que você reconsidera sua vida toda.

Acontece. Aconteceu. Aconteceu de novo.

Até quando isso vai acontecer? Se deixar ofender ou ficar mal por algo que poderia ser facilmente resolvido por uma conversa, ou mudar de comportamento (depressão, oi) com a pessoa por conta disso, ou mudar sua vida toda ...

Não sei o que fazer. Não sei como agir, o que dizer, como lidar. Fico fechada e a pessoa nota, e então ela se fecha depois de tentar se aproximar e falhar algumas vezes. E fica por isso mesmo, até alguém dar o braço a torcer. Serei eu? Será ela? Será o tempo?

Não sei. Não sei se quero descobrir. Às vezes é melhor deixar o tempo dizer.

Tomara que tudo volte ao normal. Tudo isso tá me matando por dentro, bem lentamente.

Sinto falta.