Parece que eu vivo em uma mentira. Que cada palavra dita foi apenas para amenizar uma situação, e não foi verdadeira. Eu não consigo lidar com isso. Preciso ter confiança, mas como é possível depois de um sofrimento tão palpável? Como é possível, se eu não sei dizer se tudo é real ou se não passa de uma mentira bem contada?
"Oh simple thing where have you gone,
I'm getting tired and I need someone to rely on"
"What a wicked game to play
To make me feel this way
What a wicked thing to do
To let me dream of you"
E doeu. Doeu como a primeira vez, se não pior. Sofri como se a dor fosse a única verdade que eu conhecia. Chorei. Gritei. Me angustiei. Quis desistir, quis continuar, quis tudo e não quis nada. Não sabia o que eu queria, no fim das contas.
"And I will stay up through the night
Let's be clear won't close my eyes
And I know that I can survive
I'll walk through fire to save my life"
Ou melhor, eu sabia. Queria que nada disso fosse verdade, e que o tempo voltasse, porém que os aprendizados permanecessem. Queria não sentir nada, e queria acreditar que eu não merecia sofrer. Não de novo. Nem nunca.
"Once upon a time, I was falling in love
But now, I'm only falling apart
There's nothing I can do
A total eclipse of the heart"
Outra vez, fiquei no abismo da insanidade. Sem reagir, sem crer, sem absorver bem. Ouvi dizeres e desdizeres que me machucaram. Ouvi meu coração dilacerar, e minha cabeça gritar "eu avisei" em um timbre impossível de suportar. Senti minha mente revivendo tudo de maneira cíclica, e meu corpo reagindo a isso com tremores e espasmos.
"I'm deafened by the silence
Is it something that I've done?
I know that there are millions
I can't be the only one who's so disconnected"
E vi o fim do túnel. Parecia perto. Parecia o caminho mais fácil. Correto. Caminhei em direção a ele como se fosse uma ilha em meio a mar aberto. Considerei deixar as ondas me levarem até ela, e que levassem embora a dor depois. Que seria melhor não insistir em algo impossível. Que, um dia, eu veria que foi o melhor.
E então, eu hesitei.
Hesitei mais uma vez, e fiquei com raiva de mim mesma por hesitar. Senti a angústia no meu peito de não conseguir fazer o certo, e por novamente tender a ir para o que era bom. O que era confortável. O que era meu.
"Oh, but I'm scared to death,
That there may not be another one like this,
And I confess that I'm only holding on by a thin thin thread"
Meu. Meu pilar, meu lar. Parecia que tudo estava ruindo novamente, e eu não tinha em que me segurar. Mas o chão não se desfez. E eu pensei que, talvez, eu conseguiria construir uma nova moradia ali, sem ter de sair ao relento e ter de fazer a minha própria alma de lar. Talvez, insistir neste chão que uma vez me trouxe aconchego não fosse algo tão irracional assim. A razão novamente gritou em desaprovação, mas o coração aplaudiu.
"And we can learn to love again.
I never stopped,
You're still written in the scars on my heart,
You're not broken, just bent,
And we can learn to love again"
"It's in my head, darling I hope
That you'd be here
when I need you the most"
Impossível saber quanto tempo levará para eu ter um lar para chamar de meu novamente. Impossível que não seja feito de forma lenta, com cuidado, pois a pressa é inimiga da perfeição. O que é fato, entretanto, é que com ajuda tudo fica mais fácil. Mais rápido. Simples. O que resta saber, no fim, é se a ajuda vem, ou se vou ter de fazer tudo sozinha.
