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Coisa séria


Fui vencida mais uma vez pela coisa que carrego comigo desde sempre. Por causa da depressão, eu vou perder, novamente, um amor. O mesmo amor. Independente do motivo, perder um amor é algo horrível. Agora perder para a depressão é tão doloroso que não dá para descrever.

É algo inacreditável ter em você algo que te prejudique tanto, e que afaste as pessoas que você ama. A depressão faz você querer coisas, dizer coisas e fazer coisas que você não deveria querer, realmente. Ela te transforma em outra pessoa, te transforma em alguém que não é você, verdadeiramente. 

E eu disse coisas que não deveria ter dito. Mas palavras são como uma flecha, uma vez lançadas, não se pode desfazer. Eu não sei mais o que tentar para reverter a situação. O que eu posso fazer, e vou, é tentar prevenir que isso ocorra novamente, porque apenas agora eu vi tudo o que ela pode tirar de mim. Coisas importantes para mim, que eu tenho uma consideração imensa, e que eu tenho medo de perder.

Mas talvez seja tarde demais. Pessoas precisam lidar com a sua própria dor, e não devem se preocupar com a dor dos outros. É demais tentar resolver problemas que não são seus. É por isso que eu perderei, de novo, a pessoa que eu amo. Porque eu exigi dela, ou a depressão exigiu, que ela resolvesse meus quando na verdade não havia nada o que ela pudesse fazer para resolver.

Existem coisas que podem ser feitas para minimizar, sim. Mas quando estas coisas vão contra a natureza das pessoas ao redor, não se pode cobrar delas este tipo de ajuda. Não se pode cobrar que alguém mude suas características para suavizar a sua dor, se isso causa dor nela. É você quem deve resolver seus problemas, antes de permitir que alguém entre em sua vida. Não é responsabilidade delas ajudar, existem pessoas preparadas para isso. 

Eu imagino como é sentir-se inútil ao ajudar alguém que sofre de depressão. No meu caso, em crises, eu fico extremamente carente de atenção, e nunca nada é suficiente. Não sou eu, visto que nos demais momentos é tudo muito bom e suficiente. São os momentos de fraqueza psicológica, onde meu alter-ego depressivo toma conta e estraga tudo. Faz parecer que as pessoas que eu amo não são suficientes. Imagino como meus familiares e amigos próximos devem se sentir incapazes ao falhar em me ajudar, e como isso pode causar tristeza e dor a eles também.

Não é justo. Não posso continuar assim, não mais. Não posso justificar meus atos impensados com uma doença, preciso batalhar para encontrar uma solução para ela. Ir tentando, e tentando, até achar algo que dê certo. Não devo permitir que outras pessoas sofram a minha dor. Não é certo. Vou atrás de ajuda até que eu consiga, para evitar o sofrimentos das pessoas que eu amo. Seria egoísmo demais não fazer isso. 

Entretanto, pode ser tarde demais para que eu me redima com todas as pessoas importantes para mim. Posso ter perdido alguém em que eu depositei algo que eu nunca pensei que fosse tão bom: amor. E, se eu tiver uma chance de me redimir, eu o farei, pois esta pessoa me completa. Ela não deve ser eu por inteiro. Não deve me carregar, pois o peso de duas almas é grande demais para uma pessoa só. Devemos andar lado a lado, batalhando juntos, e crescendo juntos. Não vou mais cobrar o que não pode ser cobrado. 

Se ainda existe esperança, a única coisa que peço é paciência e compreensão. Me esforçarei ao máximo para evitar com que minhas crises cheguem nesta pessoa enquanto eu não conseguir lidar comigo mesma. Não sei quanto tempo demorará para que eu ache algum tratamento que surta efeito, por isso peço paciência. E compreensão para às vezes que eu não conseguir segurar, mesmo me esforçando. Compreensão para saber que o que eu digo, faço, muitas vezes não tem significado nenhum em meu coração, apenas para a depressão. Eu vou sair dessa. Por mim, pois me machuca, me faz mal, e por quem está comigo, pois os machucam também. Eu vou aprender a ser feliz por mim mesma, e só então transbordar de felicidade com o amor recíproco da pessoa que eu amo, pois eu já estarei inteira.

Mas, se não existir mais nada a ser feito, a ferida que vou carregar no coração servirá de lição por eu ter demorado tanto tempo, propiciado tanto sofrimento, antes que eu caísse em mim. Eu não consigo ver como eu achava normal ser assim, como eu aceitava a condição que me foi imposta de cabeça baixa. Como eu apenas tentava, e falhava, ser forte quando eu deveria achar uma solução definitiva para a raiz do problema. Carregarei a dor de ter perdido um amor de verdade, um amor pelo qual valia a pena lutar, como punição. E, um dia, mesmo que esta pessoa não saiba, eu a orgulharei por ter vencido esta luta. Mesmo que ela não esteja ao meu lado para me ver vencer.

Eu te amo, e sempre vou amar.

I'm sorry for being me.


Esse post não tem nada a ver com ninguém. Eu tive um surto depressivo há menos de 5 minutos e eu vou falar sobre isso, pois é a forma que eu encontrei de melhorar. Não tem o intuito de gerar pena, de dar dó, nada disso. Eu só preciso tirar isso de mim. E caso você esteja se perguntando, o blog não é privado pois existem pessoas que passam por essa mesma situação e ler textos como esse podem ajudar. Eu sei mais do que ninguém.

Não consigo deixar de pensar que, a cada surto, fico mais próxima de descobrir uma verdade sobre mim. Uma verdade que eu sei que não vou suportar. Não faz sentido, eu sei, mas depois de tantas e tantas crises, eu tenho algum tipo de medo. Sinto um aperto bem na boca do estômago só de pensar em confirmar tudo o que eu e minha paranoia imaginamos.

E essa verdade é que eu não valho nada. Não valho a pena, não valho o tempo, nem o espaço. E em muitos dias, os dias em que essa consciência bate, eu lamento muito o fato de eu existir. Tenho certeza de que tudo seria melhor se 20 anos atrás eu não tivesse vindo ao mundo. Eu não consigo deixar de ver os muitos problemas que eu trouxe, mesmo que em meio a algumas alegrias. E essas alegrias não são nem perto de serem suficientes pra compensar o resto. 

Ter essa consciência machuca. Não consigo ser forte o tempo todo, principalmente quando eu olho pra trás e percebo que eu falhei com todo mundo ao meu redor. Eu vejo as expectativas depositadas em mim e, mesmo que eu tente de todas as maneiras atendê-las, eu falho. Falhei com quem me trouxe ao mundo. Falhei com quem eu amava. Falhei comigo mesma. E eu tento me enganar todos os dias, me ocupando, tentando construir um bom futuro pra mim, tentando acreditar que essa é minha forma de ser compensar a todos. Mas eu sei que não adianta. Não depois de todo o desgosto. 

Me desculpem. Perdão por não conseguir ser a filha perfeita, com o cabelo liso, com a pele perfeita, que obedece sem questionar e que aceita tudo. Perdão por não conseguir cuidar nem da minha própria casa. Perdão por ter ficado doente e isso ter me mudado completamente. Eu nunca quis isso. Perdão pelo meu constante estado nervoso, pelos surtos. Ninguém é obrigado a aturar isso. Perdão por ter uma porrada de coisa estúpida passando pela minha cabeça que me travam e não me permitem ser o que eu deveria ser.

Se eu pudesse ter uma escolha, eu escolheria nunca ter existido. Se eu pudesse voltar no tempo, eu aprenderia todas as expectativas das pessoas antes pra evitar decepcioná-las. Se eu pudesse começar de novo, eu consertaria tudo o que eu fiz de errado sem saber, e que agora eu sei. Mas a vida infelizmente não é um "se eu pudesse", então a única coisa que eu posso fazer é pedir desculpas. A todas as pessoas que são obrigadas a conviver comigo, as pessoas que não são e escolhem ficar, e as que foram embora. Se eu fosse vocês, perderia a paciência e iria embora também. Todo mundo tem seus próprios problemas, não é necessário ter de ficar perto de um problema mental ambulante. Eu entendo. 

Mesmo com tudo isso, eu prometo que vou prosseguir. Vou procurar uma forma de compensar a todos vocês do sacrifício de estar comigo. Que seja dinheiro, não sei. Eu vou em frente. Não por mim, mas por vocês. E eu vou me tratar, vou melhorar até que os surtos não sejam mais tão frequentes. Vou ficar forte, vou à luta e vou dar orgulho a vocês. Eu prometo.

Dependência

Acontece. Quando uma pessoa que você ama te deixa magoada, não por culpa dela, mas porque você tomou algo que ela fez/disse como ofensivo para si. Ou quando essa pessoa tá estressada com algo e desconta em você. Ou quando acontece algo que foge do seu controle, e isso deixa a pessoa irritada. E, por consequência, te deixa pior do que você já tava. Tão pior que você reconsidera sua vida toda.

Acontece. Aconteceu. Aconteceu de novo.

Até quando isso vai acontecer? Se deixar ofender ou ficar mal por algo que poderia ser facilmente resolvido por uma conversa, ou mudar de comportamento (depressão, oi) com a pessoa por conta disso, ou mudar sua vida toda ...

Não sei o que fazer. Não sei como agir, o que dizer, como lidar. Fico fechada e a pessoa nota, e então ela se fecha depois de tentar se aproximar e falhar algumas vezes. E fica por isso mesmo, até alguém dar o braço a torcer. Serei eu? Será ela? Será o tempo?

Não sei. Não sei se quero descobrir. Às vezes é melhor deixar o tempo dizer.

Tomara que tudo volte ao normal. Tudo isso tá me matando por dentro, bem lentamente.

Sinto falta.

Crise, my old friend.

Abandonei o blog.

Não existe desculpas pra isso, ou talvez exista, só que não seja boa demais.

De um tempo pra cá, perdi o interesse em fazer coisas que antes me agradavam. Desde 2013 eu não tenho mais aquela vontade de maratonar séries, de ler um livro atrás do outro ou mesmo ficar navegando na internet. Perdi o interesse na minha vida.

Entrei na faculdade em 2014, e logo depois o programa Ciências Sem Fronteiras foi encerrado, me deixando desolada. Não consegui ir, e agora para ir ao exterior, preciso desembolsar do meu próprio dinheiro. Comecei a estagiar. Trabalhar. Namorar. Estagiar novamente. E olha, quanto mais você trabalha, menos dinheiro você tem. E movida pelo meu impulso, eu gastei com coisas desnecessárias, porém necessárias pra mim: coisas que se eu não fizesse, provavelmente eu me arrependeria depois. Fiz 3 tatuagens, gastei nelas um valor de R$1570. Meu cabelo que eu finalmente consegui deixar tão cumprido quanto eu sempre quis, cortei e pintei de colorido. Gastei com tudo o que eu tive vontade de comer, gastei com gasolina para ir em lugares que eu queria ir. Festas? Não. Lugares que eu ia com meus amigos; buscar eles, levar de volta, só isso.

Olha, eu sempre soube que eu tinha depressão. Mas foi em 2014 que ela atacou, quando eu me desinteressei por mim mesma de verdade. Ao entrar na faculdade, senti a pressão de ser adulta. Ter de estudar, tirar a carteira, ter um bom emprego, carro, casa, vida... Talvez tenha sido o distresse que tenha sido o pontapé de tudo, mas 2013 é minha última memória de ter tido realmente vontade de ser feliz. Nos próximos anos, muitas coisas boas aconteceram, principalmente em 2015, mas em contrapartida, minha saúde psicológica e mesmo física pioraram. Descobri que tenho transtorno de personalidade paranoide, que me torna a pessoa mais desconfiada que possa existir. Crio situações na minha mente e desconfio de coisas que não poderiam acontecer. Mas desconfio. Tenho também transtorno de ansiedade generalizada, que praticamente me deixa em pânico por ter de fazer algo simples, tipo sair com meus amigos, ou sair com meu namorado. Que pessoa normal entra em desespero por sair com o próprio namorado? Aí veio a depressão nervosa e, aliada a isso e sempre existente perda de autoestima.

Aí vocês podem me perguntar: "por que você não buscou tratamento?". Autoestima. Não somente aquela autoestima de não se achar uma pessoa bonita, não. Autoestima de não acreditar em si mesma, de não achar que consegue fazer nada, de achar que é um nada. De se odiar. Eu me odeio. Penso e acredito firmemente que a vida de todo mundo ao meu redor ia estar bem melhor sem mim. Que eu não passo de mais uma coisa para dar trabalho à eles. Que entrar em uma faculdade federal e se formar no inglês não passam de uma obrigação que eu tenho para com eles, para com a vida. Não algo de vontade minha. Me digam, como tratar algo que eu acredito que qualquer tratamento falharia? Que eu sou tão inútil e incapaz, que não conseguiria fazer isso dar certo? Eu não acredito em mim. Não acredito em mim, e não acredito que tudo isso possa funcionar em mim. Não faz sentido nenhum, né?

Como se não bastasse, minha imunidade tá zerada. Isso me deixou com candidíase bucal (não tem nada a ver com a doença sexualmente transmissível, é outra coisa), que me deixou com tanta dor na garganta que eu não conseguia engolir minha própria saliva. E será uma doença recorrente enquanto minha imunidade não melhorar. Tive isso no meio de 2015. Em 2016, comecei um estágio novo e pelo estresse, minha imunidade caiu novamente e a doença recorreu. Passado este caso, logo em seguida surgiu um cisto pilonidal em mim, uma espécie de tumorzinho que eu vou ter de operar pra tirar. Senti muita dor novamente e tomei remédios fortíssimos. O cisto desinchou, porém os remédios induziram uma gastrite. Gastrite medicamentosa. Meu estômago ficou horrível por semanas, quase não comia. Fiz endoscopia, não deu nada. Minha imunidade ainda tava baixa e, para piorar, peguei gripe.

Eu tenho plena consciência que isso tudo não passa de uma extensão da depressão e do estresse que eu mesmo me coloco diariamente. A necessidade de ter tudo certo me deixa louca.

Mas o que fazer?