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Alto mar


Não sabia se escrevia ou não este texto. Mas como tudo na vida, achei que a história precisava de uma conclusão aqui também. E escrevo aqui, pois aqui é onde eu posso transparecer tudo. Eu me sinto... estranha. Me sinto estranha de não sentir nada daquilo que eu senti da primeira vez. Me sinto surpresa pelo meu corpo não sentir aquele turbilhão de sentimentos que quase me destruiu daquela vez. Vez ou outra ainda choro vendo um diálogo de Grey's Anatomy que se encaixa na situação, ou lendo um texto que pulou na minha frente. Mas não procuro motivos para chorar. Estou surpreendentemente calma, o que me faz pensar que talvez a tempestade ainda vá chegar.

Não consigo achar uma explicação para isso. Talvez seja o fato da minha rotina não ter sido alterada, já que ele não estava mais por aqui há algum tempo. Talvez, meu inconsciente havia entrado em modo "torça pelo melhor, mas se prepare pelo pior" e, quando o pior chegou, eu estava com os pés firmes no chão para não cair com o impacto. Não vou dizer que foi uma surpresa. Eu só pensei que a força de vontade bastaria. Mas nunca bastou. E eu aceito isso, pois minha consciência está cristalina. Eu fiz tudo o que eu pude, e fiz até mais. Segurei o barco sozinha quando o mar já estava turbulento. Mas como qualquer ser humano, não consegui manter tudo, pois era demais para um suportar sozinho. Doía. Eu precisava de ajuda. Eu gritei por ajuda, mas não tive resposta.

Lamento apenas pelo tempo perdido. Eu olho para o porta retrato que comprei semana passada no intuito de colocar uma foto de recordação ao lado da minha cama todos os dias, e não sei o que fazer com ele. Vou deixá-lo ali, pois não me atrapalha. Nada me atrapalha. É apenas... estranho. Me sinto chateada pelo fim, pois nunca foi minha intenção alcançá-lo. Eu tentei assumir erros que não eram meus, e dizia a mim mesma que eu devia me adaptar. Mas a TPM não permitiu que eu me adaptasse por alguns dias. Tudo bem. No fim, apenas me mostrou que eu tapava o sol com uma peneira. Amor não deve ser difícil assim.

Eu não podia assumir as responsabilidades de um outro alguém. Eu assumi as minhas, e tenho certeza de que as executei com destreza. Eu fui uma boa namorada. Eu me ajustei às mudanças, eu apoiei, eu demonstrei, eu fui flexível. Eu pus as diferenças de lado, pois nunca me fizeram querer desistir, e foquei em outras coisas. Apenas torcia para ter retribuição, que raramente tive. Eu fiz minha parte e, quando meu porto seguro se desfez novamente, sob às mesmas circunstâncias inflexíveis, eu voltei para o barco e deixei que a maré me levasse. Ainda tenho sete mares para explorar. 

Olhando para a costa agora, eu retiro o que eu disse antes: não o desejo mal nenhum. Desejo que siga sua estrada sem arrependimentos, e que um dia sinta que é hora de consertar o que há de errado em sua mente, como eu senti que era a minha. Quero que conquiste coisas boas, e se sinta livre, pois em nenhum segundo minha intenção foi de aprisioná-lo. Eu o amei de uma forma que nunca imaginei ser possível, de uma forma tão pura, tão boa, que seria imoral da minha parte desejar mal à alguém que uma vez me fez tão bem. Não vou diminuir nossos momentos bons. Foi um prazer imenso estar nesta jornada com ele. Digo adeus da forma mais sincera que eu encontrei, sem nunca saber se isso vai alcançá-lo. É como atirar uma mensagem em uma garrafa em alto mar. Agradeço por tudo, principalmente por me mostrar como é amar alguém, e por me fazer crescer. Eu o amo como a pessoa importante que ele foi na minha vida. E agora, o deixo ir.

Despedidas


Meu pai foi viajar. Viagem curta, de 3 dias. Fui levá-lo ao aeroporto, e ao vê-lo entrar com a mochila nas costas e uma mala na mão, sozinho, eu me dei conta de como eu odeio despedidas. Tá certo, quem é que gosta, né? Mas eu devo ter algum tipo de problema. Mesmo se eu deixar meu irmão na escola, parece que uma parte de mim vai junto e só volta quando ele volta pra casa. Pra perto de mim.

Esse texto vai pra todas as pessoas que tiveram de se despedir de alguém pra sempre. Seja um amor que não deu certo, seja alguém querido que virou a estrela mais brilhante do céu. Despedidas machucam. Levam uma parte da sua alma, e em alguns casos essa parte nunca volta. Você se sente incompleto, o vazio é quase palpável. Eu sei. Mas olha, vou te dizer uma coisa. Pra você, que deu uma partezinha da sua alma a alguém que se foi, pense que essa pessoa também te deu uma parte da alma dela. Foi uma troca. Vocês sempre estarão um com o outro, até que se encontrem novamente em algum lugar. No Céu. Em outras vidas. Pessoas não se abandonam porque querem, e pessoas que se amam estão sempre fadadas a se encontrarem. O mundo é cruel, mas ainda sim tem piedade de nós. 

Pra você que está em uma situação crítica, que pode perder alguém a qualquer momento, eu te peço apenas uma coisa: demonstre. Fale o quanto você ama esse alguém, e o quanto você se importa. Relembre os momentos bons que passaram, e se esforce pra manter o brilho no olhar dessa pessoa. Se esforce pra arrancar uma risada. Você não sabe quando vai ser a última. Preste atenção: você vai se arrepender pro resto da sua vida se não falar. Não seja uma pessoa orgulhosa, sentimentos devem ser expostos. Você pode não saber, mas a outra pessoa será eternamente grata por ouvir palavras de carinho em um momento tão difícil. Mesmo que pareça não ouvir. Demonstre, sim. Fale. Grite. 

Aos que não estão passando por nenhuma situação de despedida, reflitam um pouquinho. Às vezes, tem alguém na sua vida que você sabe que está perdendo aos poucos. Um amigo. Um familiar. Um amor. Pense o quanto você perde por não cultivar esses relacionamentos. Repense. Não vale a pena, mesmo? O tempo é curto demais pra nos privarmos de amar e sermos amados, então não deixe pra depois. Quando o depois chegar, pode não ser do jeito que você planejava. Vai lá, mantenha quem te ama por perto e os ame também. Crie laços, crie momentos, crie memórias. São as únicas coisas que ficarão quando tudo acabar. E infelizmente, tudo acaba.