Coisa séria


Fui vencida mais uma vez pela coisa que carrego comigo desde sempre. Por causa da depressão, eu vou perder, novamente, um amor. O mesmo amor. Independente do motivo, perder um amor é algo horrível. Agora perder para a depressão é tão doloroso que não dá para descrever.

É algo inacreditável ter em você algo que te prejudique tanto, e que afaste as pessoas que você ama. A depressão faz você querer coisas, dizer coisas e fazer coisas que você não deveria querer, realmente. Ela te transforma em outra pessoa, te transforma em alguém que não é você, verdadeiramente. 

E eu disse coisas que não deveria ter dito. Mas palavras são como uma flecha, uma vez lançadas, não se pode desfazer. Eu não sei mais o que tentar para reverter a situação. O que eu posso fazer, e vou, é tentar prevenir que isso ocorra novamente, porque apenas agora eu vi tudo o que ela pode tirar de mim. Coisas importantes para mim, que eu tenho uma consideração imensa, e que eu tenho medo de perder.

Mas talvez seja tarde demais. Pessoas precisam lidar com a sua própria dor, e não devem se preocupar com a dor dos outros. É demais tentar resolver problemas que não são seus. É por isso que eu perderei, de novo, a pessoa que eu amo. Porque eu exigi dela, ou a depressão exigiu, que ela resolvesse meus quando na verdade não havia nada o que ela pudesse fazer para resolver.

Existem coisas que podem ser feitas para minimizar, sim. Mas quando estas coisas vão contra a natureza das pessoas ao redor, não se pode cobrar delas este tipo de ajuda. Não se pode cobrar que alguém mude suas características para suavizar a sua dor, se isso causa dor nela. É você quem deve resolver seus problemas, antes de permitir que alguém entre em sua vida. Não é responsabilidade delas ajudar, existem pessoas preparadas para isso. 

Eu imagino como é sentir-se inútil ao ajudar alguém que sofre de depressão. No meu caso, em crises, eu fico extremamente carente de atenção, e nunca nada é suficiente. Não sou eu, visto que nos demais momentos é tudo muito bom e suficiente. São os momentos de fraqueza psicológica, onde meu alter-ego depressivo toma conta e estraga tudo. Faz parecer que as pessoas que eu amo não são suficientes. Imagino como meus familiares e amigos próximos devem se sentir incapazes ao falhar em me ajudar, e como isso pode causar tristeza e dor a eles também.

Não é justo. Não posso continuar assim, não mais. Não posso justificar meus atos impensados com uma doença, preciso batalhar para encontrar uma solução para ela. Ir tentando, e tentando, até achar algo que dê certo. Não devo permitir que outras pessoas sofram a minha dor. Não é certo. Vou atrás de ajuda até que eu consiga, para evitar o sofrimentos das pessoas que eu amo. Seria egoísmo demais não fazer isso. 

Entretanto, pode ser tarde demais para que eu me redima com todas as pessoas importantes para mim. Posso ter perdido alguém em que eu depositei algo que eu nunca pensei que fosse tão bom: amor. E, se eu tiver uma chance de me redimir, eu o farei, pois esta pessoa me completa. Ela não deve ser eu por inteiro. Não deve me carregar, pois o peso de duas almas é grande demais para uma pessoa só. Devemos andar lado a lado, batalhando juntos, e crescendo juntos. Não vou mais cobrar o que não pode ser cobrado. 

Se ainda existe esperança, a única coisa que peço é paciência e compreensão. Me esforçarei ao máximo para evitar com que minhas crises cheguem nesta pessoa enquanto eu não conseguir lidar comigo mesma. Não sei quanto tempo demorará para que eu ache algum tratamento que surta efeito, por isso peço paciência. E compreensão para às vezes que eu não conseguir segurar, mesmo me esforçando. Compreensão para saber que o que eu digo, faço, muitas vezes não tem significado nenhum em meu coração, apenas para a depressão. Eu vou sair dessa. Por mim, pois me machuca, me faz mal, e por quem está comigo, pois os machucam também. Eu vou aprender a ser feliz por mim mesma, e só então transbordar de felicidade com o amor recíproco da pessoa que eu amo, pois eu já estarei inteira.

Mas, se não existir mais nada a ser feito, a ferida que vou carregar no coração servirá de lição por eu ter demorado tanto tempo, propiciado tanto sofrimento, antes que eu caísse em mim. Eu não consigo ver como eu achava normal ser assim, como eu aceitava a condição que me foi imposta de cabeça baixa. Como eu apenas tentava, e falhava, ser forte quando eu deveria achar uma solução definitiva para a raiz do problema. Carregarei a dor de ter perdido um amor de verdade, um amor pelo qual valia a pena lutar, como punição. E, um dia, mesmo que esta pessoa não saiba, eu a orgulharei por ter vencido esta luta. Mesmo que ela não esteja ao meu lado para me ver vencer.

Eu te amo, e sempre vou amar.

Nova Pessoa Antiga


Aquelas descrições sobre o amor ser como uma droga viciante subitamente começaram a fazer sentido. Compreendi que tinha caído nesse vício em algum ponto da minha vida, e que deixei que tomasse controle dela. E agora, passei a enxergar o quanto isso mudou meu modo de ser. É verdade que eu mudei completamente. Eu sabia disso, mas não conseguia ver que tinha mudado para pior. Para mim, todo esse sentimento que eu sentia deveria transparecer, já que nunca tinha acontecido antes. Deixei que o sentimento novo que era o amor tomasse conta de mim, me perdi, perdi minha essência. 

Só depois percebi que perdi o melhor de mim. Minha independência como pessoa, minha autoestima e auto aceitação. Meu controle e minha razão. Foi isso que atraiu o amor até mim, e foi minha visão distorcida do amor que me fez perder essas qualidades. Agora, e somente agora, percebi isso como verdade. E vou lutar para recuperar quem eu era antes. Vou descobrir um jeito de balancear o amor com meu ser original, e não deixar que eu vire algo que eu nunca tinha sido antes. Não há motivos para tal.

Continuo achando o amor um sentimento bom, daqueles que aquecem a alma e te preenchem. Porém, amor serve para transbordar o que já está cheio, não para encher o vazio. E aparentemente, era o que ocorria comigo. Deixei a responsabilidade de me amar apenas em um único ser, quando o amor próprio deveria ser a base deste outro. Eu me esvaziei, acreditando que era de amor que se vivia. Bem, é sim. Mas principalmente do próprio. Sorte de quem possui ambos.

É hora de perceber que eu tenho a sorte de ter um amor que me fortalece e começar a lutar para me recuperar. E eu, quando começo, não desisto até ter tido sucesso ou até não ser mais possível. Eu vou conseguir. Não posso mais ser tão superficial, tão fraca, e me deixar atingir pelo que não é importante. Importante é estarmos bem conosco e com quem nós amamos. Superficialidades estão proibidas a partir de agora. Vou me esforçar ao máximo para não me permitir cair e chorar pelo que não importa de verdade, e passar a dar esta importância para o que realmente precisa. 

Prazer, meu nome é Isabela. Eu havia me perdido. Perdi minha essência para um vício, acreditando que era o melhor para mim. Demorei um ano para me redescobrir, e reconheci em mim que eu era forte antes de me perder. Reconheci que o amor era melhor antes de eu fazer dele minha única fonte de paz. Reconheci que preciso mudar. Daqui para frente, sou uma nova pessoa, que ironicamente vem a ser a pessoa antiga. A que tinha consciência que amor vem para nos acrescentar, e não para nos preencher. Essa nova pessoa antiga será forte. Chega de chorar.

Stay


Bom, aqui vai mais um texto dramático, carregado de sentimentos e de músicas que falam sobre ficar. Mais uma daquelas situações em que só se tem duas opções, e as duas são ruins. Mas, dessa vez, não cabe a mim decidir. Cabe ao cara para quem eu voltei. E fiquei.

Waiting for the time to pass you by 
Hope the winds of change will change your mind 
I could give a thousand reasons why 
And I know you, and you've got to make it on your own

Zedd - Stay

Não. Não quero convencê-lo a ficar para que se sinta infeliz por não ter ido. Para ter um grande "e se" a ser carregado nas costas. Quero que enxergue todas as possibilidades e, ao final, avalie com clareza o que deve fazer. Uma proposta de emprego que oferece novidade e uma carga um pouco menor de trabalho? Quem não aceitaria? Mas como nada é tão bom assim, é claro que tinha de ser em outra cidade. É claro que, mais uma vez, algo tem de acontecer para me manter afastada do amor. 

Not really sure how to feel about it 
Something in the way you move 
Makes me feel like I can't live without you 
It takes me all the way 
I want you to stay

Rihanna - Stay

Sim, está sendo difícil. Sim, eu estou lutando muito contra muita coisa, mas desistir está fora de questão o quanto eu aguentar, e eu aguento muito. Com essa proposta, o vi com os olhinhos brilhando com a oportunidade de viver uma experiência nova. Financeiramente, não muda muita coisa, e quando eu vi isso, preciso confessar que fiquei sim um tanto (muito) chateada por vê-lo desejar ir, mesmo assim. Se fosse o caso, eu seria a primeira a sacrificar a proximidade para vê-lo ter uma vida melhor, para que pudéssemos ter um futuro bom. Mas como não é, para mim é trocar seis por meia dúzia, e como "bônus" ficar a quilômetros de distância de mim, me vendo apenas uma vez por mês e olhe lá. Fiquei chateada, pois a primeira coisa que enxerguei foi que eu não valia dois anos de esforço até as coisas se acalmarem, e que era mais fácil se arriscar para ter um pouquinho mais de folga do que ficar e lutar para me ter por perto. Como não pensar nisso, se tendo um transtorno de personalidade paranoide nas costas, não é? E fico ainda pior ao ver muitas pessoas apoiarem a decisão sem ao menos ter embasamento para isso.

Why am I so emotional? 
No, it's not a good look 
Need some self control 
And deep down, I know this never works
But you can lay with me so it doesn't hurt 
Oh, won't you stay with me? 
'Cause you're all I need

Sam Smith - Stay With Me

Ainda, com tudo isso, não tenho com quem conversar. Vi hoje que não posso falar com ele, pois ele mesmo não sabe o que dizer. Evita me olhar chorando, pois não sabe o que fazer. Evita conversar, pois sabe que, no fim, acontece a mesma coisa sempre. Ele fica trancado em algum tipo de prisão mental, e não consegue escapar.  Às vezes, queria poder ler a sua mente, queria poder identificar o mundo de sentimento em seu olhar. Só consigo ver o semblante de tristeza, e isso me entristece ainda mais. Queria poder consertar tudo e viver em paz, mas infelizmente para todos os casais os momentos de tormenta fazem parte. As conversas, as brigas fazem parte para que ambos evoluam. Insisto em tentar passar por essa fase, mas estou sozinha. Mesmo que eu insista para que ele tente, ele mesmo já não quer tentar. E eu, mesmo assim, mesmo falando, falando, esperando e não tendo retorno, fico. Com mil razões para partir, eu fico. Então me perdoe por esperar a mesma coisa. Talvez o erro seja meu de esperar de todo mundo o que eu estaria disposta a fazer, e faço. 

Don't dull the sparkle in your eyes 
I know that we were made to break 
So what? I don't mind 
Are you gonna stay the night?

Zedd - Stay The Night

Tenho medo de fazê-lo ficar, não só por mim pois isso seria puro egoísmo, mas porque não compensaria que ele fosse para longe sem uma mudança financeira drástica, e que ele fique pior. Que fique imaginando como seria se tivesse ido. Tenho pavor de vê-lo infeliz. Quero fazê-lo ficar por saber que é muito provável que ele fique infeliz em um futuro próximo, e ao mesmo tempo quero deixá-lo ir por ter medo de que fique infeliz agora. Então, sim, estou chateada. Não acho justo que, depois de tudo, eu ainda não consiga ficar com quem me faz bem nessa vida tão ruim. Também não acho justo que ele fique apenas por causa da minha opinião, eu realmente queria que ele enxergasse isso por si mesmo, sem que eu precisasse desabar na frente dele mais uma vez.

I'm lost here in this moment 
And time keeps slipping by 
And if I could have just one wish 
I'd have you by my side

Miley Cyrus - Stay

Claro que também fiquei animada com a novidade de toda a situação, mas pensando amplamente, vejo muito mais possibilidades de dar errado. Não posso deixar de desejar que ele fique. Quero que fique ao meu lado e que conquistemos tudo juntos, como um casal. Quero ter apoio, e quero apoiá-lo. Quero poder confortá-lo depois de um dia ruim, e lembrá-lo de que isso não é para sempre. Quero que ele me permita lutar pelo nosso futuro também. Quero passar por uma crise sabendo que a qualquer momento ele pode vir me socorrer. Toda essa situação torna o peso da pergunta maior do que um pedido de casamento, no fim das contas. E aí... você fica?

Can I?


"Querer não é poder". Uma frase clássica que eu particularmente nunca coloquei muita fé. Sempre pensei que se alguém quer alguma coisa, se batalhar muito duro, consegue sim. Felicidade pra mim era algo bem objetivo: dinheiro. Quer ser rico? Vai que dá. Mas depois de passar no meio do abismo, eu vi que tem uma única coisa que não dava: controlar a própria mente. 

Parece que ela tem vontade própria. Pensa o que quer, na hora que quer, sem ninguém pedir. Até transforma os pesadelos em sonhos quando você pensar que está conseguindo controlar o monstro. Não está. Minha mente já não tem mais nenhum tipo de controle. Eu o perdi quando eu me quebrei em mil pedaços, e aparentemente ainda estou tentando me recompor. Não está sendo nada fácil. Certos momentos acho que vai ser impossível. Eu estou presa ao passado como se tivesse trancafiada em um calabouço, não consigo fazer as pazes com o que já foi, não consigo perdoar. Não consigo me perdoar. 

Não é tão simples quando todo mundo fala. Aparentemente pessoas normais têm o dom de controlar o que pensam, bom, eu não. Minha cabeça virou o mais mortal dos meus inimigos, virou aquilo que eu tenho mais medo. Eu tenho tido crises cada vez mais frequentes, o que quer dizer que meus pensamentos mais sombrios estão tomando conta de mim com mais facilidade. Eu quase desisti de tudo da última vez. Quase. Erro meu ao achar que depois dessa última crise, tudo ia ficar bem por pelo menos algum tempo. Eu sonho, vejo, sinto tudo de novo, e automaticamente procuro algo que satisfaça a necessidade da minha cabeça de fazer eu me sentir mal. E sempre consigo. Sempre. Todos os detalhes tão frescos e sólidos ainda vagam por ali, e os detalhes físicos, terrenos, estão por toda parte. Eu não entendo. É passado, eu deveria não me importar. Não me importava um tempo atrás. O que aconteceu?

Não sou mais a mesma pessoa de antes. Não quero dizer que eu mudei algumas características, amadureci. Não. Eu simplesmente sou outra. Todos os meus princípios foram por água abaixo, todas as minhas ações não condizem com o que eu dizia antes. Eu não sou mais eu, e eu odeio essa nova pessoa que cada vez mais entra no meu corpo. Eu odeio. Não tenho forças para lutar contra ela, lá no fundo eu sinto que eu estou de mãos atadas, esperando um chute no estômago dessa nova "eu". Consigo sentir o gosto do sangue. 

Sabe, é estranho. Já não consigo mais ver meu futuro. Sempre fui sonhadora, sempre pensei no agora como uma ponte para um tempo em que tudo ficaria bem. Hoje, eu só tento passar um dia de cada vez sem fraquejar. Cada dia que passa, fica mais e mais difícil carregar essa bola de ferro presa ao meu tornozelo chamada passado. Quem dera que fosse real assim. Quem dera que fosse possível apenas quebrar a corrente e eu estaria livre. Pena que não é tão fácil assim. 

Não existe jeito de quebrar a corrente. Não existe "você vai conseguir" ou "tenta não pensar nisso" que, como mágica, faça tudo ficar para trás. Não existe nada. Simplesmente eu não sei o que preciso fazer para ir em frente. Estou estagnada no mesmo lugar, sem forças para seguir e sem vontade de desistir. Sei que não parece, mas eu me esforço todos os dias para seguir. Mato não apenas um, mas dez leões por dia para tentar sobreviver no fim. Me esforço para que minha mente não controle meu eu, mas eu me sinto perder. 

Pode não parecer, mas esse esforço tem me desgastado por tentar tirar do meu corpo toda e qualquer lembrança física do que mais me doeu, não sem antes sentir como se eu fosse esfaqueada novamente. Esse é o problema. Eu sinto tudo novamente, sempre, na mesma intensidade. Não está ficando mais fácil. Não está ficando melhor. Só está parado. Estou esperando o tempo em que eu não me doerei só de olhar para trás, ou que pelo menos eu não olhe para trás. Eu só queria que tudo fosse facilmente como os outros dizem para que eu consiga viver em paz.

O que ela quer...


Sabe aquela garota que você conhece, tão fria e dura consigo mesma, tão preocupada com a vida? Ela só quer amar. Uma garota assim está transbordando de amor e quer alguém com quem se sinta confortável o suficiente para deixar todo o seu amor fluir. Ela quer dar atenção, fazer seu parceiro se sentir amado. Ela quer chegar no fim do dia, cansada, e ter alguém para conversar sobre o que ela fez no trabalho e sobre o aquele colega chato da faculdade disse para o professor. 

Quer falar sobre as dificuldades da vida e os problemas, sobre seus sonhos, e quer sentir interesse do seu parceiro com a sua tagarelice sem fim. Quer que ele a motive e que a ouça de verdade. Ela também quer ouvir, Quer saber como ele está e se ele resolveu aquele problema no trabalho, seus pensamentos, suas vontades, e quer se empolgar com tudo o que ele diz também. Quer compartilhar experiências, dividir conquistas, ir à luta, quer agradar.

Ela quer dar presentinhos para que ele se lembre dela sempre que dá e, se não der, ela se esforça para que dê. Ela quer ver o sorriso de gratidão e ouvir palavras bonitas, que a aconcheguem cada vez mais ao ninho da união. Manda mensagens perguntando como está o dia, e que sente saudades. Às vezes, nem assunto ela tem, mas ela se esforça para falar sobre qualquer coisa mesmo assim. Ela só quer conversar. Ela quer alguém para brincar e para chorar quando as lágrimas insistirem em cair, muitas vezes sem motivo algum. Quer ter certeza de que é boa para seu companheiro, e saber que ele teme a perder. Quer que ele saiba que ela ficará ao lado dele para sempre, contanto que ele lhe dê amor e respeito. Quer sentir que tem alguém ao lado dela e quer demonstrar que está presente também, pronta para o que der e vier, na alegria e na tristeza. Quer se sentir amada tão quanto quer amar.

Quer se sentir importante e especial, pois ela sabe que todo esse amor que ela carrega em si não é simples. É algo intenso, poderoso. Forte. Tão forte que ela tem medo de ser forte demais. Talvez, se ela achar alguém com quem ela se sinta bem ao desnudar a mente e a alma, ela tente se segurar. Deixará que um pouquinho do seu amor transborde para ver se ele é correspondido e, se não for, tentará suprimir. Não quer afogar seu parceiro, quer apenas o seu bem. Mesmo que, para isso, deva sacrificar seus sentimentos. De novo.

Talvez, ela descubra que o amor deve ficar guardado mesmo. Que o mundo "lá fora" é malicioso demais para algo tão puro, Que, no fim, ninguém queira amor em excesso. Mas ela nunca deixará de querer amar. Ah, tudo o que ela mais quer é poder amar...

Vazio.


Vazio. É assim que eu tenho me sentido ultimamente, um vazio enorme. É estranho, pois agora eu não tenho mais motivo para chorar, na teoria. Na prática, continuo chorando. Perco horas e horas de sono para as lágrimas, e lágrimas e mais lágrimas para o chão. O pior? Antes eu sabia o porquê delas, hoje, já não sei. Não sei o que falta, não sei nem se falta. Isso só pode ser uma coisa: vem uma tempestade. O céu da minha mente começa a escurecer, os ventos agora estão cortantes e as nuvens começam a tomar forma. E eu sei que essa tempestade dentro da minha cabeça vai ser uma das piores que eu terei o desprazer de ver, e que a crise que isso vai causar vai abalar minhas estruturas já abaladas. E vou cair. Desmoronar. E vou fazer de tudo para passar por isso sozinha. 

Ninguém é obrigado a ficar no meio da chuva. Ninguém é obrigado a assistir alguém sofrer. Eu não quero que ninguém faça isso por mim, pois eu já nem sei se tenho forças pra retribuir. Na marra, eu aprendi a aceitar o que vier, e que, por mais que eu me esforce, não consigo mudar o que já está definido. Então vem. Vem com tudo, me arrasa, me destrói. Eu vou me deixar apanhar dessa vez, pois no meu vazio eu não acho uma gota de força pra revidar. Deixa vir, quem sabe o que sobrar consiga se reerguer, ou talvez não. 

Eu entendo como isso afeta a mim e a todos à minha volta. Eu entendo que eu perco minha capacidade de raciocinar, que falo e faço coisas que, no fundo, eu nunca queria ter feito. Que ajo de maneira irreconhecível e depois não consigo lidar com as consequências disso, que pareço perdida. É que eu estou. Não me encontro na minha rotina, nos meus estudos, não consigo ficar um segundo sozinha sem me perder em pensamentos, e preciso me esforçar pra não cair nisso em público. Para constar, falhei na maioria das vezes. Meu relacionamento me distrai da minha mente uma parte do tempo, e em outra parte a incentiva. Talvez seja pela cicatriz do passado que ainda arde, mas é tudo o que eu tenho agora. São os momentos que eu consigo me desligar por uns minutos, e me sentir segura. É quando eu posso me permitir ser pelo menos um pouco feliz. E não posso perder isso. Não de novo. Não vou. É por isso que preciso enfrentar isso sozinha. Doa a quem doer. Ou melhor, que doa tudo em mim.

Eu quero tentar ser boa em tudo, e para todos. Quero conseguir carregar o mundo nas costas enquanto ele me esmaga cada vez mais e meus joelhos vão ao chão. Tento conseguir me arrastar pra frente pelos outros, pois se fosse só por mim eu já teria me deixado esmagar. Tudo o que eu conquisto já não me satisfaz, o pingo de motivação que eu sinto é satisfazer aos outros. E eu tento engolir sapos e enterrar pensamentos, e tento me segurar o máximo que dá, mas continuo andando em direção ao abismo. O abismo da insanidade, tão profundo, tão escuro, tão tentador. Não existe um dia sequer que eu não acorde com vontade de deixar meu corpo pender para frente e sentir o ar contra o meu corpo enquanto eu caio. Não existe um dia que, no final dele, eu diga: "este foi um dia completamente bom". Talvez isso não exista mesmo, e cada um lida com seus demônios de forma particular até que o próximo dia chegue.

Eu só queria descansar. Descansar das preocupações, dos sentimentos ruins que crescem cada vez mais, das memórias que machucam e das palavras que cortam. Queria apagar da minha mente tudo o que um dia me fez mal e que não me deixa prosseguir, como uma bola de ferro presa no meu tornozelo. Queria sentir apenas alegria e prazer nas pequenas coisas boas que eu faço, e não apenas tristeza com uma pontada de animação. Queria me sentir parte de algo, não me sentir perdida em um mundo que eu não tenho condições de viver. Queria ter certeza das palavras de amor que eu escuto, queria acreditar que o pouco "bem" que eu sinto realmente pertence a mim. Que eu mereci. Tudo o que eu consigo pensar é que é algo forçado, irreal. Não me surpreenderia se coisas ruins acontecessem mais uma vez, talvez no fundo é isso que eu espero. É para isso que eu me preparo. Me preparo para perder tudo novamente.

Cada dia que passa eu tenho mais certeza que o que me pertence verdadeiramente é a solidão. É mais fácil enfrentar tudo sozinha. Cair sozinha, sofrer sozinha. Eu me vejo deixando todos partirem para que não tenham que enfrentar meus monstros comigo, e me vejo olhando no horizonte enquanto partem, ansiosos por ver o que há de melhor no mundo. Com certeza há mais do que eu ofereço. Eu entendo, no fim das contas, todos que um dia já me deixaram. Perder, às vezes, é algo bom. Não necessariamente para mim, mas para aqueles que eu me preocupo. E eu sei que, mesmo sofrendo, é o melhor que poderia acontecer. No final das contas, nada disso vai importar. Porque é isso que acontece com todo mundo. Um oceano de sofrimento, uma gota de alegria. E, no fim, tudo se dissolve em alto-mar.

Impossível


Parece que eu vivo em uma mentira. Que cada palavra dita foi apenas para amenizar uma situação, e não foi verdadeira. Eu não consigo lidar com isso. Preciso ter confiança, mas como é possível depois de um sofrimento tão palpável? Como é possível, se eu não sei dizer se tudo é real ou se não passa de uma mentira bem contada?

"Oh simple thing where have you gone,
I'm getting tired and I need someone to rely on"


Eu fiz o absurdo. Não me reconheci naquela ação, mas fiz, pois não sabia mais o que fazer. Não tinha a quem recorrer, pois quem poderia esclarecer minhas dúvidas costumava falar apenas o que eu queria ouvir. Fiz o absurdo, li diálogos que machucaram e mais uma vez, senti meu coração parar e meu estômago revirar. Senti ódio e um nojo sem tamanho. Me senti traída. 


"What a wicked game to play
To make me feel this way
What a wicked thing to do
To let me dream of you"

E doeu. Doeu como a primeira vez, se não pior. Sofri como se a dor fosse a única verdade que eu conhecia. Chorei. Gritei. Me angustiei. Quis desistir, quis continuar, quis tudo e não quis nada. Não sabia o que eu queria, no fim das contas. 


"And I will stay up through the night
Let's be clear won't close my eyes
And I know that I can survive
I'll walk through fire to save my life"

Ou melhor, eu sabia. Queria que nada disso fosse verdade, e que o tempo voltasse, porém que os aprendizados permanecessem. Queria não sentir nada, e queria acreditar que eu não merecia sofrer. Não de novo. Nem nunca.


"Once upon a time, I was falling in love
But now, I'm only falling apart
There's nothing I can do
A total eclipse of the heart"


Outra vez, fiquei no abismo da insanidade. Sem reagir, sem crer, sem absorver bem. Ouvi dizeres e desdizeres que me machucaram. Ouvi meu coração dilacerar, e minha cabeça gritar "eu avisei" em um timbre impossível de suportar. Senti minha mente revivendo tudo de maneira cíclica, e meu corpo reagindo a isso com tremores e espasmos. 


"I'm deafened by the silence
Is it something that I've done?
I know that there are millions
I can't be the only one who's so disconnected"

E vi o fim do túnel. Parecia perto. Parecia o caminho mais fácil. Correto. Caminhei em direção a ele como se fosse uma ilha em meio a mar aberto. Considerei deixar as ondas me levarem até ela, e que levassem embora a dor depois. Que seria melhor não insistir em algo impossível. Que, um dia, eu veria que foi o melhor. 


E então, eu hesitei. 

Hesitei mais uma vez, e fiquei com raiva de mim mesma por hesitar. Senti a angústia no meu peito de não conseguir fazer o certo, e por novamente tender a ir para o que era bom. O que era confortável. O que era meu. 


"Oh, but I'm scared to death,
That there may not be another one like this,
And I confess that I'm only holding on by a thin thin thread"


Meu. Meu pilar, meu lar. Parecia que tudo estava ruindo novamente, e eu não tinha em que me segurar. Mas o chão não se desfez. E eu pensei que, talvez, eu conseguiria construir uma nova moradia ali, sem ter de sair ao relento e ter de fazer a minha própria alma de lar. Talvez, insistir neste chão que uma vez me trouxe aconchego não fosse algo tão irracional assim. A razão novamente gritou em desaprovação, mas o coração aplaudiu. 


"And we can learn to love again.
I never stopped,
You're still written in the scars on my heart,
You're not broken, just bent,
And we can learn to love again"

Talvez eu comece a construir. Primeiro, paredes em que eu confie que vão me proteger do vento cortante, e então janelas que me permitirão vislumbrar o futuro. Um teto para que as lágrimas do céu não caiam em mim, e também, uma porta. Uma saída, um escape por onde eu possa correr em direção ao campo aberto e solitário, se minha casinha ameaçar a ruir de novo. 


"It's in my head, darling I hope
That you'd be here
when I need you the most"

Impossível saber quanto tempo levará para eu ter um lar para chamar de meu novamente. Impossível que não seja feito de forma lenta, com cuidado, pois a pressa é inimiga da perfeição. O que é fato, entretanto, é que com ajuda tudo fica mais fácil. Mais rápido. Simples. O que resta saber, no fim, é se a ajuda vem, ou se vou ter de fazer tudo sozinha. 

Somewhere only we know


"Oh, simple thing where have you gone?
I'm getting tired and I need someone to rely on.

I came across a fallen tree,
I felt the branches of it looking at me,
Is this the place we used to love?

Is this the place that I've been dreaming of?"

Somewhere Only We Know - Lily Allen

Empatia.


"Empatia: capacidade psicológica para sentir o que sentiria uma outra pessoa caso estivesse na mesma situação vivenciada por ela."

Pessoas cometem erros. É natural do ser humano ser falho, e (na maioria das vezes) erros não são cometidos de propósito. Às vezes, nem chegamos a cometer esses erros, mas mesmo assim existirão pessoas com pedras prontas na mão para atirar em você. O ser humano é falho. O ser humano julga. O ser humano acha que é algum tipo de deus. Mas vamos trazer isso a minha realidade. O que acontece quando um erro de outra pessoa faz você sofrer, mas você consegue deixar isso para trás? Um assunto que não cabe a mais ninguém, a não ser as duas pessoas envolvidas, mas que muitos sabem, muitos opinam, e ninguém compreende?

Sim, eu sempre soube que passaria pelo inferno por conta disso. São poucos os que aceitam a minha decisão de deixar tudo isso para trás. Parece que toda a credibilidade que eu tinha foi por água abaixo, que eu não sou mais a mesma pessoa, porque resolvi dar uma chance a alguém que errou. Tudo bem, eu sempre pintei esse quadro de mim mesma, de pessoa durona, que não esquece e não perdoa. Lá no fundo, eu sou isso mesmo. Mas eu quis dar uma variada, agora. Problema meu, não é? Aparentemente, não.

É engraçada a tal da empatia. A habilidade de se por no lugar do outro e ver que, talvez, a situação que essa pessoa está é um pouco delicada demais. Entender que julgar, maltratar, ofender e humilhar não faz nada além de deixar essa pessoa ainda pior. Nessas horas, todo mundo se esquece de que não existem só os próprios sentimentos, mas que existe também os sentimentos de um outro alguém em jogo. Sentimentos confusos, perdidos, que quando chocam e contrastam com os sentimentos avessos de outra pessoa, deixam os seus donos mais perdidos ainda.

Dói. Dói ver as pessoas que sempre estiveram ao seu lado negando apoio quando você mais precisa. Pessoas que mudam sua postura com você, pois não aceitam uma determinada decisão sua. E não é nem uma opinião muito complicada de se entender, eu me arrisco a dizer. Eu só quero ser feliz de novo. Eu sei o que eu passei. Fui eu que passei, não foi mais ninguém. E se eu, que senti na pele todo o mal causado, consigo deixar ir, porque outras pessoas não conseguem? Eu sei que é difícil ver alguém querido arriscar tudo de novo. Mas é um direito de cada um. É dever de cada um ser feliz do jeito que lhe convém. Não tem ninguém dando uma de louco aqui. Eu não quero cortar os pulsos, usar drogas ilícitas, fugir de casa e virar uma rebelde. Se fosse o caso, tudo bem tentar me impedir e se afastar, mas a decisão que eu tomei foi pensada e repensada, balanceada, feita e desfeita milhões de vezes. E, no fim das contas, é o que eu quero. 

Poxa, eu só quero sentir o que eu sentia antes, e que por um deslize, foi para um lado errado. É algo pessoal. É algo interno. Não envolve mais ninguém. Por que, então, as pessoas teimam em tomar atitudes como se fizessem parte da história? Eu entendo que fui procurar ajuda com essas mesmas pessoas, e fiz com que elas formassem uma opinião (ruim) sobre tudo. Certo. Mas qual o problema de me apoiar, ao invés de apoiar a história? Apoiem a minha felicidade. Ninguém é obrigado a gostar de ninguém, porém poderiam se esforçar para não me deixar pior do que tudo isso já me deixa. As ironias, as palavras amargas que eu escuto de pessoas que supostamente estariam comigo e me apoiariam no que desse e viesse é doloroso. Literalmente doloroso, minha gastrite não gosta disso tanto quanto eu não gosto.

Empatia. Quem me conhece, sabe que eu não aceito perder pessoas queridas. Que, se fosse situação contrária, eu exporia minha opinião sobre o assunto e apoiaria a decisão de quem quer que fosse. Estaria ali quando este alguém precisasse, e principalmente quando não precisasse. Não falaria nada que poderia ser maldoso sobre a situação, pois eu saberia que o peso de tudo já é grande demais para ser suportado por uma pessoa só. Eu seria mais um apoio. E, se tudo desse errado novamente, eu ainda estaria ali. E eu gostaria que fizessem isso comigo. Ponham-se no meu lugar. Eu já perdi demais, e não quero perder mais nada. Me sinto como se estivesse no meio de uma ponte onde eu só posso escolher um lado para ir, e, quando eu for, o outro lado desaparecerá para sempre. Mas não estamos em uma ponte. Eu não precisaria escolher. Poderíamos conviver todos em harmonia, como já foi uma vez. Poderia dar tudo certo. É uma pena que muita gente escolhe não permitir. 

Nota a mim mesma


Oi. Que situação, hein? E você aí pensando que ela nunca aconteceria. Porque você só pensa o pior, né? Tá certo, não tá errado não, isso evita você de quebrar a cara. Pena que não deu certo da última vez. E aí, agora que você tá na situação que só ficava imaginando, como é que você tá se sentindo? Perdida? Eu sei.

Tem muita coisa pra você pensar hein garota? Pesar as memórias com o rio de lágrimas que você derramou. Considerar os momentos lindos, e pensar nos momentos que faltaram. Os momentos em que você não existiu. E esse medo aí que você tá sentindo? E aquela ideia de "se tá com medo, vai com medo mesmo" que você tinha? Agora é outros 500, não é? Pois é. Como você mesma costuma dizer, "mesmo que você saiba o que tá vindo, você nunca tá preparado pra como isso vai fazer você se sentir". É um fato, no fim das contas.

Eu sei que você tá tremendo na base de ter de enfrentar todo mundo. Eu sei que você pensa no quanto tudo era perfeito, e agora é tudo um caos que você precisa organizar. E aí, você vai organizar? Eu sei que você vai tentar. Vai dar seu jeito. Vai ouvir muita gente falando o que não devia, e vai saber que muita gente fala pelas suas costas. Vai aguentar o peso do julgamento dos outros e vai suportar o peso do próprio julgamento.

Até porque tudo isso é contra tudo o que você acreditava desde sempre, não é? Perdão? Você não sabia o que era isso. Mas também nunca soube o que era amor antes de tudo, então a gente pode dizer que pra tudo tem uma primeira vez. Pra segundas chances também. Não é ao amor que você precisa dar uma segunda chance. É a si mesma. É a sua nova chance de ser feliz.

E felicidade, garota, não se encontra em qualquer esquina.

Amor acaba?


Me peguei refletindo sobre o fim do amor. Ele realmente acaba? Claro que, em certos casos, somos forçados a matá-lo – destruí-lo aos pouquinhos até que não sobra nada – pois a pessoa que amávamos foi embora para nunca mais voltar. Mas e nos demais casos, o amor realmente acaba, ou somos nós que o destruímos? 

Se o amor existe, no momento que você percebe que ele perdeu a força, por que não buscar entender o que está acontecendo e melhorar? Ou, pelo menos, tentar melhorar? É amor, cara. Amor não se acha em qualquer esquina, não o verdadeiro. Se um dia você achou amor de verdade e viu que ele perdeu a força, por favor, lute por ele. Tente compreender, faça algo a respeito. Tem certeza de que nada pode ser feito pra chama desse sentimento continuar ardendo forte? Sabe, às vezes é normal o fogo ameaçar apagar. É só colocar um pouquinho mais de lenha. Então tente. Tente até ter certeza de que você realmente ficará melhor sem ele. E, depois de esgotadas todas as alternativas, talvez você perceba que é hora de deixá-lo morrer de causas naturais. 

Mas não desista antes de lutar. O amor vale a pena. Não se esqueça. 

Quem de nós dois?


"Eu e você, não é assim tão complicado, não é difícil perceber. Quem de nós dois vai dizer que é impossível o amor acontecer? Se eu disser que já nem sinto nada, que a estrada sem você é mais segura, eu sei você vai rir da minha cara, eu já conheço o teu sorriso, leio o teu olhar. Teu sorriso é só disfarce, o que eu já nem preciso.

Sinto dizer que amo mesmo, tá ruim pra disfarçar. Entre nós dois, não cabe mais nenhum segredo, além do que já combinamos. No vão das coisas que a gente disse, não cabe mais sermos somente amigos. E quando eu falo que eu já nem quero, a frase fica pelo avesso, meio na contra mão. E quando finjo que esqueço, eu não esqueci nada.

E cada vez que eu fujo, eu me aproximo mais, e te perder de vista assim é ruim demais, e é por isso que atravesso o teu futuro e faço das lembranças um lugar seguro. Não é que eu queira reviver nenhum passado, nem revirar um sentimento revirado, mas toda vez que eu procuro uma saída acabo entrando sem querer na tua vida.

Eu procurei qualquer desculpa pra não te encarar, pra não dizer de novo e sempre a mesma coisa, falar só por falar que eu já não tô nem aí pra essa conversa, que a história de nós dois não me interessa. Se eu tento esconder meias verdades, você conhece o meu sorriso, lê o meu olhar. Meu sorriso é só disfarce, o que eu já nem preciso.

E cada vez que eu fujo, eu me aproximo mais, e te perder de vista assim é ruim demais, e é por isso que atravesso o teu futuro e faço das lembranças um lugar seguro. Não é que eu queira reviver nenhum passado, nem revirar um sentimento revirado, mas toda vez que eu procuro uma saída acabo entrando sem querer na tua vida."

– Ana Carolina

Despedidas


Meu pai foi viajar. Viagem curta, de 3 dias. Fui levá-lo ao aeroporto, e ao vê-lo entrar com a mochila nas costas e uma mala na mão, sozinho, eu me dei conta de como eu odeio despedidas. Tá certo, quem é que gosta, né? Mas eu devo ter algum tipo de problema. Mesmo se eu deixar meu irmão na escola, parece que uma parte de mim vai junto e só volta quando ele volta pra casa. Pra perto de mim.

Esse texto vai pra todas as pessoas que tiveram de se despedir de alguém pra sempre. Seja um amor que não deu certo, seja alguém querido que virou a estrela mais brilhante do céu. Despedidas machucam. Levam uma parte da sua alma, e em alguns casos essa parte nunca volta. Você se sente incompleto, o vazio é quase palpável. Eu sei. Mas olha, vou te dizer uma coisa. Pra você, que deu uma partezinha da sua alma a alguém que se foi, pense que essa pessoa também te deu uma parte da alma dela. Foi uma troca. Vocês sempre estarão um com o outro, até que se encontrem novamente em algum lugar. No Céu. Em outras vidas. Pessoas não se abandonam porque querem, e pessoas que se amam estão sempre fadadas a se encontrarem. O mundo é cruel, mas ainda sim tem piedade de nós. 

Pra você que está em uma situação crítica, que pode perder alguém a qualquer momento, eu te peço apenas uma coisa: demonstre. Fale o quanto você ama esse alguém, e o quanto você se importa. Relembre os momentos bons que passaram, e se esforce pra manter o brilho no olhar dessa pessoa. Se esforce pra arrancar uma risada. Você não sabe quando vai ser a última. Preste atenção: você vai se arrepender pro resto da sua vida se não falar. Não seja uma pessoa orgulhosa, sentimentos devem ser expostos. Você pode não saber, mas a outra pessoa será eternamente grata por ouvir palavras de carinho em um momento tão difícil. Mesmo que pareça não ouvir. Demonstre, sim. Fale. Grite. 

Aos que não estão passando por nenhuma situação de despedida, reflitam um pouquinho. Às vezes, tem alguém na sua vida que você sabe que está perdendo aos poucos. Um amigo. Um familiar. Um amor. Pense o quanto você perde por não cultivar esses relacionamentos. Repense. Não vale a pena, mesmo? O tempo é curto demais pra nos privarmos de amar e sermos amados, então não deixe pra depois. Quando o depois chegar, pode não ser do jeito que você planejava. Vai lá, mantenha quem te ama por perto e os ame também. Crie laços, crie momentos, crie memórias. São as únicas coisas que ficarão quando tudo acabar. E infelizmente, tudo acaba.

Vale a pena lutar por amor?


Moça, escuta. A gente precisa conversar. Eu sei, você não quer ouvir, mas é preciso, sabe? Moça, o amor é lindo. Amor de verdade, daqueles que tiram o fôlego. Não é por qualquer um que você sente isso, não. É especial. Mas algumas pessoas não são especiais o suficiente pra ser o motivo desse teu sentimento tão puro. É o mundo. O mundo é malicioso demais pra esse tipo de coisa. Você precisa decidir muito bem em quem você deposita esse sentimento pra não se machucar depois. 

Mas moça, algumas pessoas valem a pena, né? E normalmente, são as pessoas que não fazem ideia disso. Você se apaixona por elas, e as vezes elas não fazem a mínima ideia. Ou até fazem, mas têm medo. Quem nunca sentiu medo de amar, que atire a primeira pedra. Aqui vai meu conselho: tenta. Tenta, sim. O coração sabe o que quer, e se a cabeça não concordar, segue o coração uma vez. Só uma vez. Se permite. Se teu coração te manda buscar alguém, busca, sim. Com cuidado. Não joga todo o turbilhão de amor que você sente em cima de alguém porque amor assusta, moça. Vai com calma, devagarzinho. Vê o que você recebe em troca. Você vai saber se deve continuar ou não. 

Seguir por esse caminho já não depende só de você, não esquece disso não. Depende da reciprocidade. Você dá amor, mas recebe indiferença? Não serve. É hora de deixar a razão tomar o controle da tua vida, e deixar o coração descansar. Mas às vezes, moça, só as vezes, acaba por dar certo. Você recebe carinho, atenção e amor. Você se sente protegida. E é aí que você sabe que vale a pena. E, com o mesmo cuidado, você vai criando laços. Vai regando, deixando aflorar. Deixa fluir. O que tiver de ser, vai ser.

Mas se prepara, moça. Na maioria das vezes, não é um caminho fácil. Na maioria das vezes, dá errado, mesmo. Olha, tenta manter a calma. Eu sei que dói quando não dá certo, dói muito mesmo, mas é que certas coisas não foram feitas pra serem suas. Certas coisas não te pertencem, pois outras coisas maiores virão pra você. Tudo passa, moça. A dor passa, e você se reconstrói. Fica calma. Esses momentos serão ótimas histórias pra se contar no futuro. Se não der certo, pega tudo de aprendizado, coloca na mala e segue teu caminho. Vai ficando mais fácil com o tempo, eu prometo. Só tenha paciência.

O amor vale a pena. Amor é aquilo que você não pode desistir fácil, mas também não pode insistir pra sempre. O amor vale a pena, mas não em todas as vezes. Se você viu que não tá dando, tudo bem! Pode deixar ir. É melhor. Mas moça, se você sentir no fundo do seu coração que ainda existe uma esperança escondida, vai a luta! Luta, sim, mas não gasta toda a tua força nisso. E espera. Torce pro melhor, sempre, mas se prepara pro pior, que o que pode vir pode te arrasar. Mas vai ser o que você precisa pra deixar tudo pra trás. Espera, vê o que dá. Existem pessoas que não foram feitas pro tipo de amor puro que você tem pra oferecer. Mas existem aquelas que foram. Aquelas que te transbordarão de sentimento, que te farão se sentir nas nuvens, que irão te fazer acreditar que vale a pena, sim. Por esse amor vale a pena lutar. Mas você, moça, vale muito mais. Não esquece disso.

Pra moça dessa pergunta aqui.
Boa sorte ♥

Nunca mais


Acabei de assistir "Beauty and the Beast" e tô completamente sentimental. Desculpa.

"Eu tinha tudo do melhor, em mim eu sempre confiei. Não precisava de mais nada e mais ninguém, de tanto em me privei. A dor parece me romper por mais que eu tente me afastar... Ele invadiu sem dó meu pobre coração e veio pra ficar. Nunca mais eu vou ser livre, já não sei o que esperar... ele trouxe um mundo novo e eu não posso mais voltar. Só me resta a noite escura, aprendi o que é ser só. Eu finjo que ele está aqui pra revelar o meu melhor. Os desafios do amor roubaram toda a minha paz... embora eu tente me enganar ou me iludir, eu já não sou capaz. Nunca mais eu vou ser livre, o que eu era se partiu. Hoje eu reconheço em mim outro alguém que ele descobriu... Só me resta a noite escura, um futuro sem amor. Eu não mereço um outro fim, porque ele nunca foi pra mim, eu vou viver pra sempre assim, uma vida só de dor"

– Nunca mais (Beauty and the Beast)

Cansei.


Sofri um acidente de moto há alguns dias atrás. Eu estava correndo, a moça no carro da frente também, então ela freou meio subitamente para virar e eu não consegui parar. Nada muito grave, mas como eu estava de moto, todo meu lado direito ralou no chão. Mas isso tudo me fez pensar...

Eu sou acelerada. Sempre. Eu não consigo sair de carro e andar devagar, mesmo que eu chegue 50 minutos adiantada ao compromisso. Eu sou acelerada não só no trânsito, mas em todos os aspectos da vida. Nos trabalhos da faculdade, no meu jeito de falar, nos meus pensamentos. Eu estou sempre pensando em tudo dando errado, 24 horas por dia, 7 dias por semana. Eu adianto toda uma vida que pode não acontecer e me preocupo e me estresso com isso. 

Estresse. Eu sou estressada. Não, não é como todo mundo. Pessoas normais ficam estressadas, Eu sou. Sou nervosa, ansiosa. Isso atrapalha diversos aspectos da minha vida. Não consigo relaxar. Sempre estou pensando em algum problema pra resolver, ou num futuro que parece que vai ser todo errado. Eu não consigo aproveitar meu presente, pois minha mente acelerada já está no futuro. Eu realmente acho que acredito que minha felicidade está no futuro, mas adivinha só? O futuro nunca chega, só existe o presente.

Cansa. Eu vejo outras pessoas sendo felizes agora, com o que tem, nada muito extravagante e penso "será que é suficiente pra ser feliz?". Eu cheguei a conclusão que é, sim, se você se permitir ser feliz. Não é necessário muito, né? Uma saída com os amigos, pra conversar, rir. Um sorvete. Um filme. Qualquer coisa. Ser feliz é aproveitar o momento.

Queria eu conseguir fazer isso. Eu estou sempre cansada demais para curtir o agora. Onde já se viu isso? É tudo tão acelerado na minha vida, tão caótico, que quando existem alguns momentos felizes eu não sinto que sejam suficientes e satisfatórios pra mim. Parece banal. Eu fico esperando um futuro onde essas coisinhas vão deixar de serem insuficientes, mas, como eu disse, o futuro nunca chega. Qual o meu problema? Por que eu não consigo relaxar? Eu estou cansada. Mente cansada, corpo, alma. Tudo. Eu sou cansada. Cansei.

Perca o controle.

Imagem: We Heart It

Comecei minhas sessões no psicólogo. E sim, vou com medo todas as vezes, e acabo relaxando depois. Em uma das sessões, comentei que a frase da minha vida era "torcer pelo melhor e se preparar para o pior". Sou assim pra todas as situações da vida.  Eu me preparo pro pior pra TUDO. Eu não gosto de ser pega de surpresa. Não gosto de coisas dando errado e, se derem, preciso ter um plano B. Um plano C, D, até plano Z, só pra garantir que eu sempre tenho algo a fazer caso não dê certo. 

"E essa paixão pelo pior?", ele perguntou. É uma necessidade minha. Pode até ser considerado algo bom em partes, já que assim sempre fico com o pé no chão, mas o ser humano tem necessidade de voar. Eu não voo. Eu fico presa aqui, onde as coisas dão certo. Não me permito voar e deixar que tudo dê errado pelo menos uma vez. Eu controlo. Sou maníaca por controle e, uma vez que eu aprendi (na marra!) que não se pode controlar a vida de outras pessoas, eu sobrecarrego a minha de controle. Autocontrole. Porque eu tenho medo.

Quantas oportunidades eu perdi por medo de dar errado, quando só o fato de não aceitar a oportunidade já é um tremendo erro? Quantas pessoas eu afastei, por medo de me machucar? O quanto eu neguei, por medo de sair do meu controle? É doentio. Humanos são feitos pra errar. Pra perder o controle e seguir o impulso do fundo do coração. Pra relaxar e curtir. 

Por que eu não consigo, então? O que é, não sou humana? Algumas vezes, já tive vontade de me permitir perder o controle. Deixar ir. Sabe, é cansativo demais. Cansa demais pensar em tudo toda hora, e pior, tudo dando errado. Cansa fazer planos de contingência desnecessários porque a maioria das coisas não dão errado da forma que eu previ. Cansa. Me esgota. E mesmo assim, ainda luto pra manter o tal controle.

Mas o pior ainda é quando acontece de eu o perder. Ah, aí todo mundo pode sair de perto já. Eu não sei lidar. Não sei lidar com decepções, é isso. Não só amorosas, mas decepções da vida. Mas, adivinha só? A vida é feita de eternas decepções, uma atrás da outra, com algumas alegrias no meio pra te dar força de vontade pra seguir. E depois de uma baita decepção, a segunda maior da minha vida, eu aceitei que eu preciso mudar. Preciso relaxar. Eu vou acabar morrendo aos 40 anos por infarto causado por estresse. (Tá vendo? Já tô prevendo o pior, e me preparando involuntariamente pra isso! Que doença!)

Conheço muitas pessoas que sofrem desse mesmo mal. Pra elas, eu peço que procurem ajuda antes que comecem a perder as coisas boas da vida. Mas meu apelo vai pras pessoas ao redor. Pra vocês, eu suplico: tenham paciência. Não somos assim porque queremos. Sabemos que é normal as coisas saírem do controle às vezes, mas é muito mais complicado na nossa cabeça. É errado, no nosso cérebro. E quando acontece, às vezes podemos acabar afastando vocês pra que vocês não sintam a raiva que paira ao nosso redor. E vocês, como boas pessoas, ficam ao nosso lado, oferecem ajuda e apoio. Nós podemos destratar vocês algumas vezes por causa disso, então já de antemão, por todos que são assim, eu peço: nos desculpem. Tenham calma, isso passa rápido. Nos dê tempo pra pensar, ajeitar as coisas no lugar, respirar. Sabemos que vocês só querem ajudar e que não é legal nos ver assim, mas paciência, por favor. Não nos pressione, nem nos ofereça ajuda demais, muito menos fiquem bravos. Isso também é uma forma de nos fazer perder o controle. Querem nos ajudar? Só fiquem ali. Não insista na ajuda, se não pedirmos. Só fiquem ali pela gente. Nos abracem, e digam que vai ficar tudo bem, mesmo que fechemos a cara e falemos que "nada nunca fica bem, pois só fazemos as coisas de maneira errada". Fiquem ali, apesar de tudo. 

Eu precisei de gente assim, e a maioria não conseguiu ser. Até que eram por um tempo, mas depois se cansavam e iam embora. Perdi muitas pessoas por ser desse jeito, e eu sinto muito por isso. Mas dei o primeiro passo pra melhorar, que foi procurar ajuda médica. Eu vou me esforçar, pois isso já me tirou muita coisa boa. Eu quero conseguir. E eu vou. E para todos que querem melhorar, um conselho: utilizem todo esse controle pra fazer dar certo. Se não for por vocês, pelas pessoas ao seu redor. Fiquem bem, relaxem, curtam. A vida é simples, não precisamos transformá-la em um bicho de sete cabeças. Só três cabeças já tá bom.